Ex-ministro de Morales narra em livro o golpe na Bolívia

Um painel virtual com a presença do biólogo Celso Sanchez, professor-doutor da UniRio; Ailton Krenak, doutor honoris causa em filosofia pela Universidade Federal de Juiz de Fora; e mediado pelo também biólogo e professor Ricardo Harduim, diretor da ONG Prima; marcou no Brasil o lançamento do livro 'El fraude de la OEA y el Golpe de Estado en Bolivia - Un Testimonio' (A fraude da OEA e o golpe de estado na Bolívia - Um testemunho), do boliviano César Navarro Miranda.

Reprodução

O encontro — que teve o livro como exemplo da ingerência externa em governos da América do Sul e das ameaças aos direitos dos povos sulamericanos — foi transmitido pelo YouTube no início da noite desta quarta-feira (15/9) pelo canal da editora Acercándonos.


César Navarro é ex-ministro de Minas e Metalurgia do governo Evo Morales e lançou recentemente o livro em seu próprio país e na Argentina. No obra, ele narra os acontecimentos de 2019 até as eleições, que culminaram com a fraude da OEA na validaçãõ dos resultados e com o golpe na Bolívia. Os fatos, segundo ele, são apresentados a partir da visão do MAS (Movimento ao Socialismo). Navarro precisou exilar-se no México, teve a casa destruída e parentes ameaçados de morte. Durante o exílio, dedicou-se a escrever sobre o golpe ocorrido em seu país.


"Ao solicitar e permitir uma auditoria sobre a soberania boliviana, estamos dizendo a alguns técnicos para decidir sobre mais de seis milhões de bolivianos. Para mim, foi um erro catastrófico", disse à época da eleições.


Antes de Navarro falar sobre o livro, o professor Celso Sanchez traçou um paralelo sobre o golpe na Bolívia e as ameaças à democracia no Brasil feitas pelo governo Bolsonaro.


"Compreender o que aconteceu na Bolívia é fundamental para entender a necropolítica que é praticada atualmente contra o povo brasileiro, assim como o processo de desumanização que o continente vem sofrendo", avaliou.


O líder indígena e ativista Ailton Krenak lembrou que a América Latina segue submetida ao colonialismo, desde os tempos da chegada dos primeiros colonizadores.


"O livro de Cesar Navarro desnuda o diagrama das organizações multilaterais, como a OEA, e a subordinação dessas agências ao sistema financeiro global. Aqui no Brasil, essas agências se intometem na rotina dos nossos povos, estabelecem golpes cotidianos. As nossas instituições, que deveriam nos defender, são bombardeadas por essas ações de guerra continuada colonial contra os pequenos países. Pequenos não na extensão territorial, mas porque se acomodam na condição de estados coloniais. É importante que homens neste continente se unam para lutar contra o estado colonial representado por donos de terras e especuladores financeiros", defendeu Ailton Krenak.


Assista ao painel na íntegra



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