Exame genético brasileiro pode permitir testagem em massa já em junho


O Hospital Albert Einstein, em São Paulo, desenvolveu um novo teste que deve permitir a partir do próximo mês a testagem em larga escala da população em meio à pandemia do novo coronavírus. A notícia foi anunciada pelos responsáveis pela novidade nesta quinta-feira (21).

Sobre este assunto o jornal El Pais publicou esta semana um estudo que comprova que até o momento se desconhece a magnitude da pandemia no país mais afetado da América Latina. El Pais, um dos periódicos mais influentes do mundo, estima que, pela insuficiência de exames feitos até agora, apenas um em cada 20 casos seja notificado, e conclui que o número de infectados no Brasil na realidade já pode passar de 3,7 milhões de pessoas. El Pais aplicou método científico da London School of Hygiene and Tropical para calcular a subnotificação dos casos do novo coronavírus no país.

O novo exame anunciado pelo Hospital Albert Einstein é genético, uma vez que utiliza uma tecnologia conhecida como Sequenciamento de Nova Geração (Next Generation Sequencing), que analisa fragmentos pequenos de DNA para identificação de moléstias diversas.

Profissionais do Albert Einstein levaram dois meses para desenvolver o teste, que possui alta precisão e disponibiliza os resultados mais rapidamente. Ele já foi patenteado junto ao Sistema Internacional de Patentes, nos EUA, e estará disponível a partir de junho.

"O feito da equipe do Einstein, executado em tão pouco tempo, é resultado do grande investimento da organização em suas áreas de pesquisa, inovação e empreendedorismo", declarou o engenheiro Claudio Terra, diretor de Inovação e Transformação Digital da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, mantenedora do hospital.

Segundo os responsáveis pelo novo teste, a COVID-19 é detectada por meio da leitura do RNA, principal molécula presente em muitos tipos de vírus. Além disso, ele apresenta 100% de segurança dos resultados em até três dias a partir da coleta de amostras de saliva ou retiradas da região nasal.

O exame desenvolvido pelo hospital brasileiro permite a análise simultânea de até 1.536 amostras, 16 vezes mais do que o RT-PCR, principal método para detectar o novo coronavírus a partir da confirmação da presença de material genético do vírus no organismo.

Ao Jornal Nacional, da Rede Globo, Terra comentou que o teste do Einstein demanda menos insumos do que os demais exames conhecidos no mercado. Além disso, ele poderá ser disponibilizado tanto para a rede hospitalar privada quanto para a pública.

O Brasil é um dos países considerados epicentros da Covid-19 no mundo, com um crescimento constante tantos das mortes (que ultrapassaram as 20 mil), quanto no número de infectados (mais de 310 mil). Inversamente proporcional é a testagem da população, tida como uma das menores entre os países com cenários mais graves da pandemia.


Com a Sputnik Brasil


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