Expectativa e ansiedade na primeira prova do Enem 2021

A ansiedade está à flor da pele dos alunos que irão prestar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), nos dias 21 e 28 de novembro. Além do nervosismo em relação à pontuação e do receio de não conseguir ingressar na faculdade — sentimentos que normalmente afetam os que passam pela avaliação — os candidatos tiveram que lidar ao longo do ano com as limitações impostas pela pandemia, com as dificuldades de acesso aos conteúdos, e agora enfrentam uma crise na gestão da educação, envolvendo a debandada de funcionários do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) após a intervenção do governo federal na elaboração do exame.

Enem 2020 / Foto: Rovena Rosa, Agência Brasil

Por tudo isso, medos e dúvidas dos alunos ampliaram-se neste Enem 2021, exigindo também uma preparação física e emocional maior. A professora do curso de Psicologia da Faculdade Anhanguera, Celma da Matta, destaca que a ansiedade interfere diretamente no desempenho do aluno na prova.


"O cérebro é treinado para focar em sobrevivência mais do que em felicidade, o que transforma qualquer tipo de busca por resultado em um processo muito difícil e ameaçador. A consequência deste modelo funcional psíquico é o estresse e a ansiedade no dia a dia e isso pode comprometer as expectativas e o desempenho real, desencadeando um ciclo de comportamento e pensamento ansioso", pontua.


De acordo com a profissional é importante separar um período para o descanso da mente, e respeitar as pausas estipuladas para o estudo não sobrecarregar o aluno.


"O descanso é um passo fundamental para controle da ansiedade neste período, e deve ser usado como ferramenta para alinhar as expectativas com o processo de investimento nos estudos", comenta.


A especialista explica que é natural sentir um certo nervosismo, mas avalia que é possível contornar o sentimento para que ele não interfira no foco na hora da avaliação.


"As horas de sono são indicadas para a metabolização cerebral, dando ganhos compensatórios. E para potencializar os resultados, o aluno deve evitar o consumo de bebidas alcoólicas. Tomar um banho frio também é muito bom para a concentração e memória", sugere Celma.


A psicóloga destaca que a alimentação neste período é muito importante.


"A vitamina B12, encontrada no fígado, atum, leite e seus derivados ajuda a proteger a membrana dos neurônios, e a vitamina B9, responsável pela regeneração cerebral, está presente em ovos, vagens, brócolis, beterraba e no abacate".


Para auxiliar os estudantes a aliviar a tensão e ansiedade pré-Enem, a psicóloga elencou outros pontos:


- Prepare-se para a prova: é fundamental uma preparação antecipada, pois quanto mais bem preparado você estiver, menos ansioso se sentirá;


- Pratique exercícios físicos: o exercício é fundamental para aliviar a tensão e a mente. Opte por praticar suas atividades após o período de estudo;


- Faça exercícios de respiração: sente em posição ereta no chão ou em uma cadeira, puxe o ar pelo nariz, de forma lenta e profunda. Na hora de soltar, faça um biquinho com a boca, pois diminui o atrito do dente e da língua para a saída do ar e faz com que a respiração seja mais harmônica. Isso auxilia na normalização dos batimentos cardíacos e redução da ansiedade;


- Descanse bem antes da avaliação: durma bem na noite anterior à prova. Descansar é o remédio para combater a ansiedade. Quando dormimos melhor, acordamos com a mente e corpo descansados e prontos para os próximos desafios;


- Antecipe sua chegada ao local da prova: não deixe para chegar nos minutos finais. Chegar ao local de prova com antecedência ajudará a reduzir a ansiedade.

Divulgação / Inep

Primeiro dia do exame


No primeiro dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2021, no próximo domingo (21/11), os candidatos farão, além das provas objetivas de linguagens e ciências humanas, a única prova subjetiva da avaliação, a redação. Nesta edição, o tema será o mesmo, tanto para o Enem impresso quanto para o digital e, em ambas modalidades, o texto deverá ser feito à mão. Por isso, é obrigatório levar caneta esferográfica de tinta preta fabricada em material transparente.


Ir bem na redação pode ser um diferencial para o candidato. Para participar de programas como o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que oferece vagas em instituições públicas de ensino superior, e o Programa Universidade para Todos (ProUni), que concede bolsas de estudo em instituições privadas de ensino superior, é necessário não ter tirado zero na redação.


O Inep disponibiliza todos os anos, conforme previsto no edital do exame, uma cartilha com os detalhes da correção. Ainda não foi disponibilizada a cartilha do Enem 2021. Documentos de anos anteriores, com exemplos de redações que receberam a nota máxima, 1 mil, estão disponíveis na página da autarquia.


Redação


Conhecer as provas de redação anteriores pode ajudar os candidatos. Eles precisam, além de ter um conhecimento mínimo sobre o assunto, fazer uma proposta de intervenção. A dica é buscar referências que ajudem a embasar o texto. Podem ser músicas, filmes, livros, notícias e documentos como a Constituição Federal e a Declaração Universal dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), da qual o Brasil é signatário.


No dia da prova, o ideal é reservar uma hora para fazer a redação. Isso pode ser feito logo no começo, quando o candidato está mais descansado. A dica é antes mesmo de ler os textos de apoio, ver, no final do enunciado, qual é o tema da redação. Assim, quando o estudante ler os textos de apoio, já saberá sobre o que precisará escrever e poderá destacar elementos que o ajudem na produção do próprio texto.


O estudante terá à disposição uma folha de rascunho, mas somente o que estiver escrito em caneta preta na folha de redação será considerado na correção. A gestão do tempo também é fundamental para uma boa redação.


Também é importante seguir todas as orientações para a elaboração da prova, com o objetivo de evitar erros que podem 'zerar' a redação. Segundo o edital do Enem, os motivos que podem zerar a prova são os seguintes:


• fuga total ao tema;


• não obediência ao tipo dissertativo-argumentativo;


• extensão de até sete linhas manuscritas, qualquer que seja o conteúdo, ou extensão de até dez linhas escritas no sistema Braille;


• cópia de texto(s) da Prova de Redação e/ou do Caderno de Questões sem que haja pelo menos oito linhas de produção própria do participante;


• impropérios, desenhos e outras formas propositais de anulação, em qualquer parte da folha de redação;


• números ou sinais gráficos sem função clara em qualquer parte do texto ou da folha de redação;


• parte deliberadamente desconectada do tema proposto;


• assinatura, nome, iniciais, apelido, codinome ou rubrica fora do local devidamente designado para a assinatura do participante;


• texto predominante ou integralmente escrito em língua estrangeira;


• folha de redação em branco, mesmo que haja texto escrito na folha de rascunho; e


• texto ilegível, que impossibilite sua leitura por dois avaliadores independentes.


O que pode e o que não pode

Divulgação / Inep

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