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Exposição une arte e ciência para chamar atenção sobre a sífilis

Continua em cartaz até 7 de junho de 2023, na recém inaugurada Sala Waldenir de Bragança da Associação Médica Fluminense, em Icaraí, a exposição 'Precisamos falar mais sobre sífilis, sem preconceitos', que estreou em 15 de outubro, Dia Nacional de Combate à Sífilis Adquirida e à Sífilis Congênita. Sucesso de público no Rio de Janeiro, onde foi exibida de dezembro de 2021 a fevereiro de 2022, no Paço Imperial, a mostra foi trazida ao público de Niterói e reúne arte, cultura e ciência.

Divulgação

Com apoio da Sociedade Brasileira de DST e do Setor de DST/IST da Universidade Federal Fluminense (UFF), a curadoria é do médico especialista em DST/IST e professor titular chefe do Setor de DST da UFF, Mauro Romero Leal Passos, que também apresenta o programa 'A Nossa Saúde', na Rádio Toda Palavra, às terças-feiras, ao meio-dia.


Através de obras de grandes artistas, painéis com imagens e objetos de época que contam a história da sífilis através dos tempos, o objetivo é chamar atenção para o alto número de casos de uma doença que, associada à negligência, pode matar. Uma contradição, já que essa infecção adquirida por contato sexual ou transfusão de sangue pode ser evitada e tem cura. A forma congênita é a sua face mais cruel, quando é transmitida da mãe para o bebê durante a gestação.

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O objetivo dos realizadores é repetir em Niterói o sucesso de público conquistado no Rio, quando milhares de pessoas visitaram a exposição, entre turistas estrangeiros e de outros estados, além de grupos de alunos do ensino fundamental e médio, universitários e pessoas que atuam na área médica.


"Essa talvez seja a primeira iniciativa no mundo que usa a arte para difundir conhecimento sobre a sífilis. Trazer a mostra para Niterói é importante para conscientizar a população, estudantes e profissionais de saúde da cidade", observa Mauro Romero.


A mostra foi concebida a partir de um minucioso trabalho de pesquisa coordenado por Romero e realizado por uma equipe de profissionais de ciência, artes visuais e comunicação científica, entre eles Tiago Petra, Zelina Caldeira e Eduardo Tenorio. Contou, também com a colaboração de médicos de outros países, que enviaram novas informações e documentos, ajudando a enriquecer o conteúdo. A partir dos dados coletados, foi possível traçar a trajetória da sífilis, passando também pelos artistas renascentistas, que produziram registros sobre os efeitos da moléstia em suas obras.

Mauro Romero / Divulgação

"Poucas doenças têm os dados históricos, os acontecimentos científicos e os elementos artísticos que a sífilis apresenta. E, apesar de todo o conhecimento e da disponibilização de diagnósticos, tratamentos, acompanhamento, rastreio, prevenção, campanhas de comunicação junto à população, além das possibilidades de análises estatísticas e de vigilância em saúde pública, a sífilis continua acometendo de forma crescente pessoas em quase todo o mundo, seja em países de baixo, médio ou alto desenvolvimento econômico e sociocultural", lamenta o médico.


Quem visita a exposição faz uma verdadeira viagem no tempo. Além de paineis com informações e imagens, o público poderá conferir livros, objetos, pinturas, ampolas, frascos de penicilina de meados do século passado - quando o antibiótico começou a ser usado para tratar a doença. Uma das peças mais emblemáticas é a réplica de um forno de metal, que na Idade Média era usado para fazer o paciente suar, como um tipo de sauna com vapores de sulfureto de mercúrio, método que segundo os médicos da época, "aliviava os humores".


O mercúrio (elemento químico classificado posteriormente pelos cientistas como metal pesado) era aplicado em forma de unguentos sobre as feridas, mas com certa parcimônia, pois àquela altura já eram conhecidos seus graves efeitos colaterais.

O quadro de Rembrandt 'Portrait of Gerard de Lairesse' (1665–1667) / Reprodução

Arte, ciência e história


Em agosto de 1530, o médico, escritor, humanista e astrólogo Girolamo Fracastoro (Hieronymus Fracastorius) publicou, em Verona, Itália, o poema latino Syphilis Sive Morbus Gallicus (Sífilis Ou Mal Francês), no qual descreve a doença que o deus grego Apolo impôs a Syphilus, um pastor de ovelhas que amava mais o rei Alcithous, de sua região, do que os deuses.


Como um grande mal da época, cada região colocava o problema em outra região: mal espanhol, mal napolitano, mal francês, entre outros. Entretanto, hoje, por análises de biologia molecular, sabe-se que a sífilis existiu em outras partes do mundo antes da época de Fracastoro. Muitos preconceitos contra as pessoas que tinham a doença marcaram gerações. Inclusive, a doença recebeu, em séculos passados, o nome de lues, que significa peste ou flagelo, para que se evitasse falar o seu nome.


De Girolamo para cá, inúmeras obras de arte retratando a sífilis foram realizadas por diversos autores de diferentes áreas. Desde pinturas — como as dos holandeses Rembrandt van Rijn, retratando a lesão tardia de nariz, e Edvard Munch, mostrando a herança da sífilis congênita — até filmes de longa metragem, como 'Dr. Ehrlich’s Bullet Magic', sobre os primeiros medicamentos desenvolvidos especificamente para tratar a sífilis. E ainda 'salvarsan-606' e 'neo-salvarsan-914', 'Miss Erver’s Boys', sobre o estudo antiético da sífilis não tratada em homens negros de Tuskegee, Alabama, Estados Unidos.


E além destes, o filme 'Heleno', sobre a vida do jogador de futebol, ídolo do Botafogo, que se negou a tratar a sífilis e morreu em 1959 com sequelas tardias, em um sanatório mineiro.


No início de 1905, a bactéria Treponema pallidum foi identificada como o agente etiológico da sífilis e, em seguida, o primeiro exame sorológico para o diagnóstico foi apresentado aos médicos europeus. Embora tenha sido descoberta em 1928, foi no início da década de 1940 que a penicilina se tornou o principal antibiótico para tratar de forma efetiva e sem resistência bacteriana, até os dias de hoje, todas as formas de sífilis em adultos, crianças e neonatos.

Divulgação

Aumento de casos


Os números da doença no Brasil são preocupantes. Em 11 anos, os casos de sífilis adquirida, contraída principalmente por contato sexual, aumentaram 16 vezes. Somente no primeiro semestre de 2021, segundo indicadores do Ministério da Saúde, 64.300 casos de sífilis adquirida foram registrados no país. Os homens representam mais de 62%, mas são as mulheres e bebês que sofre as consequências mais devastadoras. Isso porque a sífilis pode ser congênita, ou seja, passada para a criança durante a gestação ou parto.


Em todo o país, nos primeiros seis meses deste ano, 27.213 mulheres tiveram a doença durante a gravidez. A maior parte tinha entre 20 e 29 anos e mais de 60% eram pardas ou negras. No mesmo período, quase 11 mil (10.968) crianças menores de um ano de idade tiveram sífilis congênita, ou seja, foram contaminadas pela mãe. Quase todas as crianças (96,2%) receberam o diagnóstico positivo com até uma semana de vida. Foram registrados ainda 330 abortos e 267 natimortos, que é quando o feto não sobrevive a 20 semanas de gestação.


Ainda segundo os indicadores do Ministério da Saúde, no estado do Rio, quase seis mil pessoas (5.908) adquiriram sífilis no primeiro semestre do ano. E em todo o território fluminense, 4.331 gestantes tiveram a doença. Em Niterói, foram registrados 126 casos de sífilis adquirida em 2021. Em gestantes, foram 41 casos, além de 35 crianças menores de 1 ano com sífilis congênita.


Ficha Técnica:


Curador: Mauro Romero Leal Passos (UFF, SBDST)

Equipe da Curadoria: Tiago Petra, Zelina Caldeira (AMF).

Direção Artística: Eduardo Tenorio

Produção: Tenorio Produções

Realização: Associação Médica Fluminense, Sociedade Brasileira de DST-RJ, Setor de DST da Universidade Federal Fluminense

Reprodução da obra 'Herança' de Edward Munch / Divulgação

Serviço:


Exposição 'Precisamos falar mais sobre sífilis, sem preconceitos'

Período: de 15 de outubro de 2022 até 7 de junho de 2023

Horário de visitação: de terça a domingo, das 10h às 20h

Local: Associação Médica Fluminense - Sala Waldenir Bragança

Endereço: Avenida Roberto Silveira, 123, Icaraí

Entrada Franca

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