Fachin: populismo autoritário é a antessala do golpe


Ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (Carlos Alves Moura/Agência Brasil)

Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin afirmou em uma entrevista nesta segunda-feira (10) que o populismo totalitário é a "antessala do golpe".

Fachin, que está prestes a assumir a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), concedeu uma entrevista ao jornal Correio Braziliense e comentou suas expectativas para as eleições de 2022.

Para ele, o "populismo totalitário" é um perigo que ronda a democracia brasileira. O ministro ressaltou que será necessário preservar o sistema eleitoral brasileiro.

"O populismo totalitário ronda a democracia brasileira. É fundamental esse alerta, porquanto é antessala do golpe", afirmou Fachin. Em seguida, ele disse que "o mais grave é essa visão personificada do povo em contraste com as instituições. As eleições de 2022 trazem à tona um imperativo categórico: preservar o sistema eleitoral brasileiro".

As declarações do ministro do STF acontecem no esteio dos recentes pronunciamentos do presidente Jair Bolsonaro. Na última quinta-feira (6), ele afirmou que "se não tiver voto impresso, é sinal que não vai ter eleição". Depois, em sua live semanal, concluiu: "Acho que o recado está dado".

Fachin disse ainda que é preciso uma união em meio a diversidade. "Precisamos sair da crise sem sair da democracia", comentou.

Além das eleições de 2022, Edson Fachin também falou sobre a pandemia e a operação da Polícia Civil na favela do Jacarezinho, no Rio de Janeiro.

Para o ministro, a pandemia trouxe um momento de luto e tensão permanentes. Ele também entende que há uma "recessão democrática e de indicadores contundentes de barbárie", e citou os mais de 400 mil mortos pela Covid-19 e o massacre que terminou com 29 mortos no Jacarezinho.

"As funções públicas precisam estar à altura desses desafios, começando por reconhecer as falhas e as tragédias, senão colapsaremos, e a vida será mesmo absurdamente descartável", concluiu o ministro, que, na última sexta-feira (7), disse que há indícios de atos que "poderiam configurar execução arbitrária" na ação no Jacarezinho. Fachin também é autor de decisão que proíbe operações policiais em favelas durante a pandemia. Sua decisão foi referendada pelo plenário do STF.

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