Fachin vê com 'muita preocupação' operação policial no Rio


Ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (Foto: Carlos Moura/STF)

Em conversa com o procurador-Geral de Justiça do Rio de Janeiro, Luciano de Oliveira Mattos de Souza, nesta quarta-feira (25), o ministro Luiz Edson Fachin manifestou "muita preocupação" com a operação policial na Vila Cruzeiro, Complexo da Penha, Zona Norte do Rio, que levou à morte de 25 pessoas - incluindo uma mulher (Gabrielle Ferreira da Cunha, de 41 anos) que estava dentro de casa e foi atingida por um disparo -, informou o Supremo Tribunal Federal (STF).

"Ao procurador [do Rio], o ministro demonstrou muita preocupação com a notícia de mais uma ação policial com índice tão alto de letalidade na data de ontem [terça-feira, 24]", informou a nota do STF.

Em fevereiro deste ano, o Supremo determinou que o governo do Rio adotasse medidas para reduzir a letalidade de ações policiais em comunidades do estado, e ainda a criação de um Observatório Judicial da Polícia Cidadã, a prioridade para a investigação de operações com mortes de crianças e adolescentes e a obrigatoriedade de ambulâncias onde houver confronto armado. Na ocasião, Fachin foi o relator da ação protocolada pelo PSB e por entidades de direitos humanos.

"Mas [Fachin] informou que soube da pronta atuação do Ministério Público e que tem confiança de que a decisão do STF será cumprida, com a investigação de todas as circunstâncias da referida operação", diz ainda a nota do Supremo.

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) abriu na terça-feira um procedimento criminal para investigar as circunstâncias das mortes, e deu prazo de dez dias para que o Batalhão de Operações Especiais (Bope) encaminhe os dados da averiguação sumária da operação policial, que teve agentes da Polícia Militar e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) envolvidos.

A operação policial na Vila Cruzeiro é considerada até agora a segunda mais letal da história do Rio de Janeiro, atrás somente da ação no Jacarezinho, em maio de 2021, que resultou em 28 mortes.

Em outra nota divulgada na tarde de terça-feira (24), o MP-RJ afirmou que “a operação foi comunicada ao órgão com a justificativa da absoluta excepcionalidade, com intuito de coletar dados de inteligência sobre o deslocamento de aproximadamente 50 criminosos da Vila Cruzeiro, entre eles lideranças do Estado do Pará, para a Comunidade da Rocinha. Foi mencionada na justificativa a necessidade de reconhecimento da área para atualização de prontuário de localidade com vistas a futuras operações policiais”.

Citado pelo G1, o comando da Polícia Militar afirmou que a operação conjunta com a Polícia Rodoviária Federal (PRF) estava sendo planejada há meses, mas foi deflagrada de modo emergencial para impedir uma suposta migração de criminosos para a Rocinha.

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