Fake, homofobia e anticomunismo no Whatsapp de Bolsonaro


(Foto: Reprodução)

Um levantamento feito pelo Globo nas mensagens de Whatsapp enviadas entre os dias 23 e 29 deste mês pelo presidente Jair Bolsonaro a seus contatos no aplicativo mostra um Chefe de Estado completamente afastado da realidade do Brasil e do povo brasileiro. Nas mensagens, destacam-se disseminação de notícias falsas sobre vacinação de jovens, vídeo elogioso ao ditador chileno Augusto Pinochet, piadas homofóbicas e preconceituosas e a fantasia predileta do presidente: o anticomunismo. Nada, nenhuma informação sobre desemprego ou a volta da miséria e da fome e sobre a disparada dos preços dos alimentos e dos combustíveis e da inflação.

Numa das mensagens, Bolsonaro diz que a vacina da Pfizer, distribuída pelo governo federal, estaria matando jovens. A mesma fake news é repetida diuturnamente por bolsonaristas nas redes sociais. Na verdade, no primeiro caso oficial de um jovem que morreu em São Paulo, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão vinculado ao governo federal, confirmou no último dia 20 que a morte do adolescente de 16 anos em São Bernardo do Campo não tem relação causal com a vacina contra a covid-19. Segundo a Anvisa, os dados apresentados pelo Centro de Vigilância Epidemiológica do governo paulista foram considerados "consistentes e bem documentados" e indicaram "ausência de relação causal entre a administração da vacina e o evento adverso investigado".

No mesmo momento, Bolsonaro compartilhou um vídeo conclamando uma investigação sobre "jovens morrendo de parada cardíaca”. No vídeo, também há a inscrição “Bolsonaro tem razão”, e reproduz um comentário de Cristina Graeml, da rádio Jovem Pan, na qual ela cita cinco casos de adolescentes que faleceram recentemente. Além do adolescente de São Bernardo do Campo, duas das mortes citadas, no entanto, eram de pessoas que sequer haviam sido vacinadas - e do outro "caso" não se tem notícia oficial. O texto foi disparado por Bolsonaro justamente no dia em que o governo dele voltou atrás e decidiu liberar a vacinação de adolescentes, que havia sido suspensa, segundo o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, depois de uma conversa com o presidente.

De acordo com as investigações da CPI da Covid, o governo Bolsonaro fez de tudo para evitar a compra de vacinas. No caso da Pfizer, a farmacêutica enviou 86 e-mails sobre proposta de venda do imunizante entre meados e final do ano passado, sem que tenha havido resposta do governo.

Sobre o ditador chileno, Bolsonaro quis dar a entender ao eleitorado brasileiro que, se a esquerda vencer a eleição em 2022, o Brasil terá um destino preocupante.

Em suas mensagens, Bolsonaro também ataca a China, país que mais compra produtos brasileiros e mais investe no Brasil. Outro vídeo compartilhado por Bolsonaro mostra Lula, em entrevista, elogiando a China, enquanto cachorros mortos sendo comercializados como alimentos aparecem em imagens. Em outro momento do vídeo com Lula, uma criança leva surra de suposto professor chinês dentro de sala de aula.

Em outro vídeo remetido, o presidente da República desfila mais uma vez seu preconceito, ao comentar o conteúdo em que o músico Rogério Skylab diz que já teve relações homossexuais três vezes sem, no entanto, considerar-se gay. Bolsonaro completa: "Até três vezes pode".

Na sessão da CPI de quinta-feira, o senador Humberto Costa (PT-PE) comentou as mensagens de Whatsapp de Bolsonaro.

"Constataram coisas absurdas. Anteontem à noite, o presidente usou o aplicativo para espalhar fake news e desincentivar a vacinação. Vejam o que escreveu: "jovens morrendo com a Pfizer" - disse o senador, que também fez uma referência à carta de recuo assinada por Bolsonaro, com a ajuda do golpista Michel Temer, após ter feito ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ameaças de golpe durante as manifestações do Sete de Setembro. É a demonstração de que toda aquela encenação com o ex-presidente Michel Temer é para enganar a população. O velho Bolsonaro está de volta", comentou Humberto Costa, que é médico e foi ministro da Saúde no primeiro governo Lula.

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