Fakenews ameaçam cargo de Weintraub no Banco Mundial


Indicado pelo presidente Jair Bolsonaro ao cargo de diretor-executivo do Banco Mundial após se vê ameaçado de ser preso pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub, se vê agora novamente em maus lençóis. A Associação de Funcionários do Banco Mundial pediu uma investigação sobre a sua conduta nas redes sociais, por postar mensagens com desinformações na pandemia e mensagens políticas consideradas fakenews, inclusive contra governos que se relacionam com o banco, como o governo do Estado de São Paulo.

Weintraub, que saiu do Brasil fugido para os Estados Unidos ao ter seu nome vinculado ao inquérito que apura divulgação e financiamento de fakenews e atos antidemocráticos contra o STF e o Congresso Nacional, poderá ser investigado pelo Conselho de Ética do Banco Mundial, segundo informação da Folha SP.

“Dado o papel crítico do Banco Mundial na luta contra a Covid-19 no mundo, achamos inaceitável que um membro do conselho administrativo (muito mais do que qualquer outro membro da equipe) publique nas mídias sociais informações patentemente falsas, aparentemente com o objetivo de politizar a pandemia ou contribuir para teorias da conspiração”, diz o documento da associação.

Essa não é a primeira denúncia contra o bolsonarista. Em junho do ano passado, a Associação já havia pedido a suspensão de seu nome para o cargo de US$ 20 mil (R$ 116 mil) mensais, até que fosse apurada sua conduta em discursos de ódio contra a China. O pedido foi negado e ele assumiu o cargo em 30 de julho.

Na carta endereçada à diretoria do Banco Mundial, datada de 24 de fevereiro, a Associação cita diversos exemplos de postagens de Weintraub, como a insistência em defender o uso da hidroxicloroquina contra a Covid-19, mesmo após o remédio ter sido descartado por diversos estudos e pela própria Organização Mundial de Saúde (OMS) para esse fim.

“O Sr. Weintraub tuitou várias vezes contra a vacina contra o coronavírus produzida pelo Instituto Butantan, do Estado de São Paulo (onde o governador de São Paulo é um adversário político do Sr. Weintraub e do Sr. Bolsonaro)”, afirma trecho da carta, ainda acrescentanto: “O Sr. Weintraub busca oferecer 'evidências científicas' para atestar que a hidroxicloroquina é um tratamento eficaz contra Covid-19; e afirma que as múltiplas mutações do vírus são uma indicação clara de que ele foi fabricado em laboratório. Ambas as questões foram desacreditadas pela comunidade científica”.

A representação dos funcionários também alega que Weintraub fere o código de conduta da instituição ao usar suas redes sociais para atacar politicamente inimigos políticos. Segundo a associação, a atuação do brasileiro mostraria um conflito de interesse.

“O Sr. Weintraub parece estar fazendo campanha para um cargo político no Brasil ao mesmo tempo em que é funcionário do Grupo Banco Mundial. De fato, foi noticiado dia 19 de fevereiro, em rodada de imprensa em nosso próprio site, cuja primeira linha é: 'Ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub se lançou como candidato ao governo de São Paulo, diretamente de Washington, Estados Unidos, onde atua como diretor do Banco Mundial”, afirma a carta.

A postura do ex-ministro da Educação de Bolsonaro de críticas políticas e divulgação de fakenews se acentuou no segundo semestre do ano passado, após ele ter sido reconduzido por mais dois anos no cargo a pedido do governo brasileiro.

O Banco Mundial não comenta sobre o caso.

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