Famílias negras e pobres têm mais dificuldade em casos de desaparecimento


Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O Centro de Estudos de Segurança e Cidadania divulgou uma pesquisa na quinta-feira (26/5) em que aponta que famílias negras e pobres de desaparecidos são as que mais enfrentam dificuldades em relação ao atendimento e investigação sobre os casos no Rio de Janeiro. O estudo mapeou a vivência e a experiência de parentes durante os procedimentos investigatórios e também o percurso por instituições em busca de apoio, respostas e soluções.


De acordo com o estudo, apenas na Delegacia de Descoberta de Paradeiros, localizada na Zona Norte do Rio, deixou de investigar mais de 55% das ocorrências em toda a cidade. Já na Baixada Fluminense e nas cidades de São Gonçalo e Niterói, foram registraram nos últimos 10 anos 38% dos desaparecimentos do estado e 46% dos da Região Metropolitana.


O levantamento também abordou o estereótipo de que a maioria dos casos é referente a adolescentes que fogem de casa e aparecem alguns dias depois. Segundo as mães ouvidas pela pesquisa, essa justificativa é dita até mesmo por agentes de segurança. Apesar disso, o levantamento mostrou que nos últimos 13 anos, 60,5% dos desaparecidos no Rio de Janeiro tinham 18 anos ou mais.


Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 2019, mostram que o Estado do Rio de Janeiro ocupava o sexto lugar em números absolutos de registros de casos de pessoas desaparecidas. Apenas nos últimos três anos, a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) contabilizou 32 projetos de lei, aprovados ou não, sobre o tema dos desaparecidos.


Em junho de 2021, a Alerj realizou a primeira audiência da CPI de crianças desaparecidas. Durante seis meses, foram ouvidos representantes da Fundação para Infância e Adolescência (FIA), da Defensoria Pública do Estado e do Ministério Público, além dos relatos de mães que denunciaram a negligência do poder público.


“A lei da busca imediata não é cumprida até hoje, talvez por falta de interesse da polícia que existe ainda, que encara o desaparecimento de jovens e adolescentes com maus olhos, tem um prejulgamento, achando que estão em boca de fumo”, relatou Luciene Pimenta,

presidente da ONG Mães Virtuosas.


Além de mães, o estudo também traz entrevistas com profissionais de diversos órgãos públicos atuantes na área e parentes de desaparecidas que dirigem Organizações Não Governamentais. Através de ONGs e coletivos, lutam pela implementação de políticas públicas e para que o tema do desaparecimento de pessoas seja, enfim, encarado com a complexidade necessária.


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