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Faria Lima: fintechs ligadas ao PCC movimentaram R$ 26 bilhões

  • há 2 horas
  • 3 min de leitura

(Foto: Polícia Federal/Divulgação)
(Foto: Polícia Federal/Divulgação)

Fintechs da Faria Lima investigadas na Operação Fluxo Oculto, deflagrada na manhã desta quinta-feira (28), movimentaram juntas R$ 26 bilhões em um esquema que envolvia empresas de fachada, adulteração de combustíveis, fundos de investimento e plataformas de pagamento digital. A investigação tem como alvo a lavagem de dinheiro do Primeiro Comando Capital (PCC) no setor de combustíveis por meio das fintechs.


Segunda fase da Operação Carbono Oculto, a ação conjunta do Ministério Público de São Paulo e da Receita Federal foi deflagrada em São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, para cumprir 59 mandados de busca e apreensão. A Carbono Oculto revelou o avanço do crime organizado no mercado de combustíveis, instituições de pagamento e de investimentos.


As investigações do Ministério Público de São Paulo identificaram que as seis fintechs alvos da operação formaram um núcleo que funciona com compensações financeiras internas entre distribuidoras e postos de combustíveis e fundos de investimentos administrados pelo PCC.


A facção criminosa atua também no desvio de nafta petroquímico para terminais e postos de combustíveis, criando uma estrutura forte para venda de solventes a empresas fantasmas.


Os principais alvos são empresários, operadores logísticos e pessoas apontadas como laranjas do esquema. De acordo com a investigação, eles teriam continuado a atuar mesmo depois de operações policiais anteriores, reorganizando empresas, alterando quadros societários e migrando recursos entre fintechs para dificultar o rastreamento financeiro.


“Só uma delas movimentou, em dinheiro vivo, mais de R$ 1 bilhão, o que nem deveria ser possível no caso das fintechs. Claramente, um sinal de lavagem de dinheiro de recursos do crime organizado”, declarou o secretario especial da Receita Federal, Robinson Sakiyama Barreirinhas, durante entrevista coletiva.


Vácuo regulatório

O secretario afirmou ainda que o trabalho feito hoje só foi possível graças às mudanças no funcionamento das fintechs feitas pela Receita Federal no ano passado:


“É importante lembrar que tínhamos, no Brasil, um vácuo regulatório, um vácuo de governança que permitia às fintechs atuarem sem a mesma transparência, sem os mesmos deveres que são impostos há duas décadas aos bancos e às demais instituições financeiras".


"Quando a Receita Federal foi fechar esta brecha, no ano passado, fomos vítimas da maior onda de fake news da história da Receita”.


Para Barreirinhas, há a convicção de que o caminho atual é o correto: “É assim que vamos combater com efetividade e derrotar as organizações criminosas, destruindo seu pilar financeiro com muita cooperação, com muito compartilhamento de inteligência e com operações conjuntas como a de hoje”.


PCC se reestruturou

Segundo o MP paulista, o PCC não deixou de atuar na lavagem de dinheiro e no desvio de nafta, mesmo após a operação Carbono Oculto, que aconteceu no ano passado.


De acordo com os promotores, a organização criminosa se reestruturou e expandiu suas operações, mantendo assim o mesmo padrão de crimes que já fazia no passado.


Durante a Carbono Oculto, descobriu-se que o PCC utilizava três fintechs. Com sua reorganização, a facção passou a usar mais seis instituições financeiras deste tipo.


A ação desta quinta atacou, assim, diretamente o funcionamento dessas seis fintechs que atuavam através de contas abertas em bancos tradicionais – as contas-bolsão. O funcionamento dessas contas tornava possível camuflar a lavagem de dinheiro através de movimentações de difícil rastreio.


Através de investigações, as autoridades conseguiram detectar essas movimentações de capital, identificando de onde o dinheiro vinha e para onde ia.


Com a Agência Brasil

 
 
 

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