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FBN envia livros em árabe para palestinos na Cisjordânia

  • 1 de out. de 2025
  • 4 min de leitura

Por Mehane Albuquerque


Um gesto solidário singelo, repleto de afeto e de significados. Livros de autores nacionais como Machado de Assis, Marina Colasanti, Graça Aranha, Patrícia Melo e Itamar Vieira Junior, entre outros, fazem parte de uma ação que ultrapassa fronteiras para levar "um pouquinho de Brasil" aos palestinos. Desde julho, a Fundação Biblioteca Nacional (FBN) tem enviado, com apoio do Itamaraty, exemplares de títulos traduzidos para o árabe pela própria instituição — no âmbito do Programa de Apoio à Tradução e à Publicação de Autores Brasileiros no Exterior — a centros culturais e à Biblioteca Nacional da Palestina, na vila de Surda, perto de Ramallah, na Cisjordânia, solo onde a cultura palestina ainda resiste.


Biblioteca Nacional da Palestina, na Cisjordânia / Reprodução
Biblioteca Nacional da Palestina, na Cisjordânia / Reprodução

"Partiu da nossa vontade, pelo sofrimento que o povo palestino vem passando. Eu conheço um pouco daquele território, sobretudo campos de refugiados no Líbano e países circunvizinhos. Então, eu achei que era o momento de fazer algo, ainda que fosse muito pouco, ainda que fosse apenas simbólico. Conversei com o João Marcelo Queiroz Soares, nosso Embaixador no Escritório de Representação na Cisjordânia, e começamos a enviar livros em árabe que fazem parte do programa de tradução que existe há mais de 30 anos", conta Marco Lucchesi, presidente da FBN e idealizador da iniciativa.


Biblioteca Nacional da Palestina, na Cisjordânia / Reprodução
Biblioteca Nacional da Palestina, na Cisjordânia / Reprodução

Até o momento foram enviadas três remessas, com autores e títulos clássicos e também atuais. São eles: '1970', de Henrique Schneider; 'A Resistência', de Julián Fuks; 'Canaã', de Graça Aranha; 'Dom Casmurro', 'Esaú e Jacó' e 'Memórias póstumas de Brás Cubas', de Machado de Assis; 'Ladrão de cadáveres', de Patrícia Melo; 'O consumo', de Cristina Von; 'O guardião de nomes', de Leonardo Garzaro; 'O menino que achou uma estrela', de Marina Colasanti; 'Sinfonia em branco', de Adriana Lisboa; e 'Você conhece Joana?', de Maria Eugênia.


Memórias do futuro


Também seguiram para a Biblioteca Nacional da Palestina, na Cisjordânia, outras duas obras não menos importantes. Um dicionário árabe-português e uma edição trilingue árabe-português-espanhol do livro “Deleite do estrangeiro em tudo o que é espantoso e maravilhoso: estudo de um relato de viagem bagdali”, dos autores Paulo Daniel Elias Farah e Al-Baghdadi, com tradução, notas, prefácio, texto analítico e transposição do manuscrito.


Reprodução
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Segundo Lucchesi, trata-se de uma publicação extremamente bem cuidada sobre a vinda de um viajante do Império Otomano ao Brasil, em meados do século XIX. A edição foi feita através de parceria entre a FBN, a Biblioteca Nacional da Argélia e das bibliotecas Nacional e Ayacucho, da Venezuela.


Juntamente com os livros, Marco Lucchesi enviou uma carta ao presidente da Biblioteca Nacional da Palestina, Ahmad Abdel Hamid, escrita de próprio punho em árabe.


Reprodução
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"Escrevo esta carta para expressar minha total solidariedade ao povo da Palestina neste momento difícil. Não tenho palavras para expressar a profundidade do meu respeito e admiração, meu querido colega. Os livros são o pacto da alma humana, as memórias do passado e do futuro. Espero que aceitem minhas palavras escritas do fundo do coração. E das raízes culturais profundas que unificam nossos povos. Envio a você, por meio de nossa embaixada no Brasil, alguns livros de autores brasileiros traduzidos para a língua árabe. Com minha solidariedade, na expectativa do fim dessa catástrofe", diz o texto.


"A ação não gera custos nem despesas. Gera, sim, pontes, solidariedade e diálogo. É o que podemos fazer para sinalizar nosso desejo de paz em meio a essa devastação em Gaza, que não é só pelas armas, mas pela fome. Não é política. É humanidade. Agora é o momento de ajudar quem mais sofre. E onde mais se sofre, lá está o nosso coração", ressalta.


Diplomacia do Livro


Marco Lucchesi / Divulgação
Marco Lucchesi / Divulgação

Lucchesi explica que a FBN tem outra missão que não a institucional: a missão solidária. "Uma e outra se complementam de modo profundo", explica.


A nobre tarefa de semear sonhos e ampliar horizontes vem sendo realizada há anos pela instituição, pilar da cultura que estende os braços para acolher aqueles que precisam dos livros e não têm acesso à leitura.


Marinha do Brasil / Divulgação
Marinha do Brasil / Divulgação

"Isso se reflete nas visitas e no olhar sensível às prisões, às escolas prisionais. Isso se multiplica em ações como a que vamos realizar na Amazônia, com a Marinha do Brasil, para atender os ribeirinhos. Na verdade, esse não é o escopo da FBN, mas a FBN se sente cidadã e solidária com o compromisso republicano. Não acontece apenas em relação ao nosso país, mas também em relação ao mundo".


Através da IFLA (International Federation of Library Associations and Institutions), a Associação Internacional das Bibliotecas, a FBN auxilia outros países da América Latina na preservação e conservação de acervos. Também em parceria com a Marinha do Brasil, aproveitando as rotas que perfaz pelos quatro cantos do planeta — denominadas 'derrotas'— a FBN tem enviado exemplares a bibliotecas nacionais de vários países, de língua portuguesa ou não.


"Nós acreditamos na 'Diplomacia do Livro'", enfatiza.


FBN / Reprodução
FBN / Reprodução

Nesse aspecto, vale mencionar o 'Programa de Apoio à Tradução e à Publicação de Autores Brasileiros no Exterior', realizado pela FBN em parceria com o Instituto Guimarães Rosa (do Ministério das Relações Exteriores) e Secretaria de Formação Artística e Cultural, Livro e Leitura (SEFLI), do Ministério da Cultura (MinC).


O programa funciona através de edital. As editoras estrangeiras se inscrevem e um júri com participação de pessoas convidadas seleciona os títulos que serão traduzidos para os idiomas de origem das editoras inscritas.


Lucchesi considera de suma importância esse intercâmbio com bibliotecas estrangeiras através da IFLA, e diz que a FBN sempre coloca sua expertise à disposição. Bibliotecas de países lusófonos africanos, por exemplo, têm participado de várias trocas de experiências com o corpo técnico da FBN, inclusive à distância.


Recentemente, ele acolheu de pronto um pedido do Haiti para ajudar na formação de técnicos em conservação e preservação de livros. No ano passado, a Biblioteca Nacional haitiana, em Porto Príncipe, foi assaltada por gangues que causaram grande destruição e incendiaram parte do acervo.

 
 
 

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