Federação de policiais diz que concurso não é suficiente

Atualizado: Jan 12


(Foto: Divulgação/PF)

Para o presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), Luís Antônio Boudens, o anúncio feito pelo presidente Jair Bolsonaro neste domingo do edital para o concurso público de 1.500 vagas de nível superior na Polícia Federal está longe de ser motivo para uma grande comemoração.

Ao anunciar o edital, que deverá ser publicado ainda em janeiro, Bolsonaro comemorou como sendo um "concurso histórico" da Polícia Federal. "O edital do concurso histórico da @policiafederal deverá ser publicado ainda este mês!", exclamou em sua conta no Twitter. Serão 123 postos para delegado, 400 vagas para escrivão, 84 para papiloscopista e 893 para agentes.

De acordo com o dirigente da Fenapef, ampliar o número de policiais é importante, mas não é suficiente para resolver os problemas atuais do órgão. Ele aponta uma enorme defasagem de 5 mil vagas que haveria principalmente no quadro da carreira de apoio.

“Como uma entidade que representa a maioria dos servidores da Polícia Federal, a Fenapef entende que realizar o concurso e ampliar o número de servidores é importante, mas não é suficiente para resolver os problemas atuais. Há uma enorme defasagem, por exemplo, no quadro de servidores administrativos. A carreira de apoio foi sendo desvalorizada e hoje deveriam ser ofertadas pelo menos 5.000 vagas apenas para este quadro", afirma Boudens.

Além disso, o presidente da Fenapef afirma que a realização do concurso não mexe na estrutura da carreira, que é a principal reivindicação dos policiais federais - o que implicaria

"A Fenapef defende a criação de uma Lei Orgânica da Polícia Federal e a implementação de uma segurança pública mais moderna e eficiente, com entrada única pela base da carreira, prevista na PEC da Eficiência (PEC 168/2019), e, ainda, a implementação do ciclo completo de investigação", afirma Boudens, referindo-se à Proposta de Emenda a Constituição que trata da reestruturação da PF com uma carreira única - o que implicaria a extinção do cargo de delegado como ele é hoje -, e ainda conclui: "O Brasil precisa de uma polícia integrada, moderna e motivada a fazer o melhor trabalho para a população. Estas mudanças seriam, certamente, motivo de enorme comemoração por parte da categoria”.

Segundo um experiente agente federal ouvido pelo TODA PALAVRA, Bolsonaro espera agradar uma parte da PF com o concurso público, enquanto mantém o modelo vigente e o quadro de delegados fiel e agradecido por não tocar no essencial, que extinguiria o cargo isolado mas traria um novo paradigma de segurança pública para o país, livre de influência política.

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