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Filha é presa por golpe de R$ 725 milhões contra a própria mãe


Policiais civis da Deapti, do Rio de Janeiro, exibem o quadro Sol Poente recuperado na operação (Reprodução)

Policiais civis da Delegacia Especial de Atendimento à Pessoa da Terceira Idade (Deapti) do Rio de Janeiro deflagraram nesta quarta-feira (10) a Operação Sol Poente para desarticular uma quadrilha acusada de causar um prejuízo estimado em cerca de R$ 725 milhões a uma idosa de 82 anos, entre pagamentos sob extorsão e obras de arte roubadas, incluindo quadros de Tarsila do Amaral e de Di Cavalcanti.

Além da filha apontada de participar do golpe milionário contra a própria mãe e cujo nome não foi revelado pela polícia, também, foram presos Gabriel Nicolau Traslaviña Hafliger, Jacqueline Stanescos e Rosa Stanesco Nicolau, mãe de Gabriel, que tentou fugir da polícia pulando a janela do apartamento em Ipanema, Zona Sul da cidade. Outras duas pessoas estariam foragidas. Ao todo, os agentes começaram a operação com seis mandados de prisão para cumprir, além de decisões judiciais de busca e apreensão e de bloqueio de bens.

Alguns quadros levados foram recuperados - um deles, Sol Poente, de Tarsila do Amaral, dá nome à operação. A obra é avaliada pela vítima em R$ 250 milhões e estava sob o estrado da cama de um dos presos.

As investigações indicaram que o golpe articulado pela filha da vítima começou a ser aplicado em janeiro de 2020, no momento em que a idosa, viúva de um grande colecionador de arte e marchand, saía de uma agência bancária, em Copacabana, na Zona Sul do Rio. De acordo com a Secretaria de Estado de Polícia Civil (Sepol), a idosa foi abordada por uma mulher que se apresentou como vidente e dizia que sua filha estaria doente com expectativa de morte em breve.

Segundo a Sepol, “por ter um lado místico e uma filha que enfrenta problemas psicológicos desde a adolescência”, a idosa foi convencida, com reforço da filha, a realizar os pagamentos que seriam destinados ao tratamento espiritual proposto. “Entre os dias 22 de janeiro e 5 de fevereiro de 2020, foram realizadas oito transferências bancárias que ultrapassavam R$ 5 milhões”, revelou.

Isolamento

Na sequência do golpe, alguns dias depois do início do falso tratamento, a filha começou a isolar a idosa das pessoas de convívio rotineiro. Além disso, funcionários que prestavam serviços domésticos foram dispensados, mas a mãe desconfiou do que estava ocorrendo e suspendeu os pagamentos. Em resposta, a idosa começou a ser agredida e ameaçada. Conforme a Sepol, as únicas visitas à residência eram feitas por comparsas, que ameaçavam a senhora e ela voltou a fazer as transferências.

Os criminosos conseguiram dinheiro em espécie e joias com o golpe e ainda roubaram mais de R$ 700 milhões em quadros de artistas como Tarsila do Amaral (O Sono, de R$ 300 milhões; Pont Neuf, de R$ 150 milhões; além de Sol Poente, de R$ 250 milhões) e Di Cavalcanti (Mascaradas, de R$ 1,5 milhão). “Ao todo, foram 16 obras. Três delas, incluindo Sol Poente, foram recuperadas em uma galeria de arte de São Paulo. O proprietário do estabelecimento confirmou que vendeu outras duas para o Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires. Ele não desconfiou por conhecer a família e pelos quadros terem sido entregues a ele pela própria filha da idosa”, informou a secretaria.

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