Filme e debate celebram homenagem ao Presidente Vargas
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No último domingo, dia 23, a Comunicação do Museu da República promoveu no Palácio do Catete, a exibição do documentário longa-metragem “Vargas, a transformação do Brasil”, dirigido pelo jornalista Beto Almeida, seguida de debate que se transformou em emocionada homenagem ao ex-Presidente Getúlio Vargas, por ocasião de seu martírio, destinado a preservar todas as conquistas econômicas e sociais registradas durante a chamada Era Vargas.
Almeida abriu o debate confessando ter feito um filme em que faz a defesa intransigente da Era Vargas, quando foram realizadas as transformações sócio-econômicas mais relevantes em toda a história do país, com o Brasil superando a condição de ser um país agrário para dar início a uma industrialização reconhecida mundialmente, sendo a economia brasileira, a que mais cresceu no cenário internacional, no período compreendido entre 1930 e 1980, que os economistas convencionam chamar de Era Vargas.
“O Brasil não apenas conquistou o voto secreto, mas também o voto feminino em 1932, muito antes da França que se auto considerava vanguarda nos direitos humanos, mas só no pós guerra, em 1946, reconheceu às mulheres francesas o direito ao voto”, disse Almeida, lembrando que somente com o impulso transformador gerado pela Revolução de 1930, de cunho nacional -trabalhista , foi possível gerar desenvolvimento, industrialização e, também, direitos laborais e sociais de grande envergadura, e que até hoje continuam vigentes como agenda política nacional. “ou será que não está na ordem do dia a renacionalização da Petrobras para que o novo petróleo descoberto na Margem Equatorial, no Amapá, seja de fato um passaporte para o futuro para todo os brasileiros, o que não se concretizou com o petróleo do Pré Sal descoberto em 2006? Ou será que não é indispensável reestatizar a Eletrobras?” disse o documentarista , respondendo indagações do público que lotou a Sala Silvio Tendler no Palácio do Catete.
Ainda respondendo sobre a atualidade da Era Vargas, Beto Almeida mencionou a Auditoria da Dívida Externa realizada pelo Presidente Getúlio Vargas, reduzindo-a vigorosamente , permitindo o investimento na expansão dos direitos sociais e previdenciários, ao mesmo tempo em que o exemplo brasileiro no enfrentamento com os banqueiros internacionais foi seguido por outros 9 países latino-americanos. “Hoje , o governo paga 1 trilhão e 100 milhões pelos juros da dívida pública aos banqueiros, esterilizando recursos que deveriam estar sendo investidos na instalação de ferrovias em todo o país, na construção massiva de moradias populares para deter a expansão em curso de favelas ou mesmo para a multiplicação robusta das estruturas do SUS, com 10 vezes mais médicos e laboratórios, maneira efetiva de redução das sofridas filas” argumentou.
Superar o antagonismo nacionalistas e comunistas
Indagado pelos participantes sobre como a filmografia sobre a Era Vargas deveria contribuir para ultrapassar o antagonismo entre comunismo e nacionalismo, exacerbado após o Levante Armado de 1935 contra o Governo Vargas, comandado pelo líder comunista Luiz Carlos Prestes, Beto Almeida respondeu que este antagonismo não tinha raízes no marxismo, mas no stalinismo, uma corrente distanciada dos princípios marxistas, lembrando que Leon Trotsky, um dos líderes da Revolução Soviética, considerava tanto Getúlio Vargas, como Lázaro Cárdenas, presidente mexicano, como “bonapartistas sui generis com potencial revolucionário, visto que defenderam políticas que fazem parte do programa histórico da classe operária mundial, e que deveriam ser apoiados pelos revolucionários”. Beto Almeida lembrou que o filme, por tratar-se de documentário histórico, registra que Vargas convidou Prestes a ser um dos líderes militares da Revolução de 1930, encarregando-o da decisiva tarefa de comprar armas para o contingente revolucionário, tarefa inicialmente aceita, mas posteriormente abandonada pelo jovem capitão, por ter sido dissuadido de apoiar a Revolução, após ser contactado, em Buenos Aires, por dois agentes do Cominter, com sede em Moscou. O documentário também registra que na crise de agosto de 1954, rotulada pela direita como Mar de Lama, cujo desfecho foi o Martírio de Vargas, o PCB também pediu a renúncia do Presidente da República, somando-se à campanha conservadora, um equívoco histórico que Luiz Carlos Prestes veio a reconhecer em 1959, fazendo uma pálida autocrítica. Justiça seja feita, o Presidente Lula, que também iniciou sua carreira de sindicalista condenando Vargas, já reconheceu seu equívoco, revisou suas posições e hoje defende o Legado de Vargas, afirmando que aquele fora o grande estadista brasileiro, o que “tirou o trabalhador da escravidão”, segundo suas próprias palavras. Felizmente, todos estes gestos, de Prestes e de Lula contribuem vigorosamente para a superação do antagonismo nacionalistas e comunistas, muito embora com uma lentidão que marca a História, cobrando preço amargo na difícil tarefa de unidade das forças progressistas.
Entre os participantes do debate com o documentarista mineiro, estavam vários professores universitários, jornalistas, intelectuais, sindicalistas e membros da juventude trabalhista, que se dispuseram a organizar novas exibições do filme, em universidade e em sindicatos, seguidas de debate, por considerarem que a Era Vargas , pela sua natureza de desenvolvimento com justiça social, é o período que mais sofreu manipulações dos tenha veículos de comunicação vinculados a grandes empresários inimigos da regulamentação dos direitos trabalhistas e do papel das empresas estatais, expandido nos governos do Presidente Vargas.
Desta forma, sem pompa e circunstância, mas num vivo debate de ideias e reflexões criativas sobre a Era Vargas, é que se registrou a homenagem ao presidente responsável pelas mais profundas transformações sociais e econômicas experimentadas pela sociedade brasileira, com os presentes se comprometendo a defender e divulgar as experiências vividas pelo povo brasileiro em sua fase de maior desenvolvimento e justiça social, por isso mesmo, submetida a uma falsificação histórica cruel e cínica pelas inimigos do mundo do trabalho.











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