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Filme Honestino emociona o público na abertura do Festival do Rio

  • 10 de out. de 2025
  • 3 min de leitura

O ator Bruno Gagliasso interpreta o líder estudantil Honestino Guimarães (Foto: Luciano Melo/Divulgação)
O ator Bruno Gagliasso interpreta o líder estudantil Honestino Guimarães (Foto: Luciano Melo/Divulgação)

Honestino, filme de Aurélio Michiles, teve sua estreia mundial nesta quinta-feira (10) na programação oficial do Festival do Rio, e emocionou o público no Cine Odeon, no centro do Rio de Janeiro. A obra revisita a trajetória do líder estudantil Honestino Guimarães, desaparecido durante a ditadura militar, combinando elementos de documentário e ficção.


Quando recebeu o convite para dirigir o longa, Aurélio Michiles, que era amigo de Honestino e também participava do movimento estudantil, revela que a decisão foi difícil.


“O Honestino sempre esteve no horizonte das minhas realizações. Sempre pensei em contar a história dele, mas não tinha coragem, porque é também a nossa história, a de um Brasil injusto, violento, que matou milhares de brasileiros”, disse o diretor.


O documentário, produzido por Nilson Rodrigues, adota uma linguagem híbrida, combinando entrevistas e imagens de arquivo com cenas ficcionais interpretadas por Bruno Gagliasso. Essa opção estética aproxima o personagem do presente e dá fluidez ao relato, colocando o espectador diante de uma história que não está encerrada.

O produtor Nilson Rodrigues, o ator Bruno Gagliasso e o diretor Aurélio Michiles (Foto: Anna Karina de Carvalho)
O produtor Nilson Rodrigues, o ator Bruno Gagliasso e o diretor Aurélio Michiles (Foto: Anna Karina de Carvalho)

“Nosso propósito é não deixar o personagem congelado numa fotografia antiga, mas torná-lo tangível, vivo. O ontem é hoje e o hoje pode ser o futuro”, define Michiles.


A motivação para dirigir o filme, segundo ele, surgiu de forma inesperada, ao assistir a um vídeo da neta de Honestino Guimarães durante a reinauguração da Ponte Honestino Guimarães, em Brasília.


“Ela dizia que gostaria de ouvir a história do avô contada por ele mesmo. Aí pensei, chegou a hora de contar essa história”, relembrou Michiles.


O resultado é um docudrama que combina depoimentos reais, imagens de arquivo e dramatizações para reconstruir a trajetória do ex-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), desde 1968, quando liderava o movimento estudantil, até a sua prisão e desaparecimento em 1973, aos 26 anos de idade.


O ator Bruno Gagliasso interpreta o papel principal e destaca o simbolismo do projeto.


“É um filme muito simbólico. Tentaram silenciar o Honestino há 50 anos, mas o silêncio não venceu. Ele defendia educação, liberdade e democracia. É um filme sobre o presente, não sobre o passado”, disse.


Para o produtor Nilson Rodrigues, o longa encerra uma trilogia sobre o período da ditadura militar, iniciada com O Outro Lado do Paraíso (2014) e seguida por O Pastor e o Guerrilheiro (2022).


“O Honestino merecia ter sua história contada. Dentro do movimento estudantil, ele é um símbolo, mas ainda pouco conhecido fora desse meio. Temos um compromisso com a memória de quem lutou pela democracia”, afirmou Rodrigues.


A trilha sonora, composta por Flávia Tygel, reforça a carga emocional da narrativa.


“A trilha precisava conter repressão e perigo, mas também poesia e esperança. Honestino é liberdade. Gravamos com cordas, violão e programações eletrônicas para criar essa mistura entre passado e presente”, explicou.


A canção original O Coro dos Canalhas, interpretada por Fafá de Belém, e composta por Tigel em parceria com Michiles e Chico Chaves, encerra o filme com intensidade e simbolismo.

 “Honestino” resgata memória do líder estudantil desaparecido na ditadura (Foto: Luciano Melo/Divulgação)
 “Honestino” resgata memória do líder estudantil desaparecido na ditadura (Foto: Luciano Melo/Divulgação)

Durante a sessão de estreia, o público reagiu com emoção. A professora carioca de História Maria Solange Melo Lins destacou a relevância do longa para as novas gerações.


“É impactante. Precisamos resgatar essas histórias para que nossos alunos conheçam o que foi a ditadura. O cinema é uma ferramenta maravilhosa para entender a História”, disse.


Concorrendo na mostra competitiva do Festival do Rio, que segue até 12 de outubro, Honestino deve chegar aos cinemas em maio de 2026.


“O filme é sobre memória, coragem e compromisso com a verdade. É sobre o Brasil que foi e o Brasil que ainda somos”, resume Aurélio Michiles.


Da Agência Brasil

 
 
 

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