Flórida: engenheiro relatou danos estruturais em 2018


Um engenheiro avisou em 2018 sobre a existência de "grandes danos estruturais" no prédio que colapsou na noite de quarta para quinta-feira (24) em Surfside, perto de Miami, na Flórida (EUA), segundo relatou neste sábado (26) o jornal The New York Times.

O desmoronamento do prédio Torres Champlain Sul, de 13 andares e existente há 40 anos, causou a morte de pelo menos quatro pessoas e o desaparecimento de outras 159 até o fim de sexta-feira (25) - entre eles, o menino Lorenzo, de 5 anos, filho da brasileira Raquel Olveira com o italiano Alfredo Leone.

Segundo o consultor Frank Morabito, nesse ano ele examinou a estrutura do condomínio, e encontrou problemas na laje de concreto por baixo do deck da piscina, bem como "abundantes" rachaduras e desmoronamentos das colunas, vigas e paredes do estacionamento sob o edifício.

"Embora alguns desses danos sejam menores, a maior parte da deterioração do concreto precisa ser reparada de forma oportuna", relatou Morobito sobre o edifício em outubro de 2018. Na época, não indicou risco de colapso iminente, apesar de sugerir reparos necessários para "manter a integridade estrutural" da construção. Esses reparos estavam prestes a começar quando o colapso aconteceu, diz.

No entanto, Eliana Salzhauer, alta funcionária local do governo, sugere que os problemas mencionados há quase três anos podem ter contribuído para a tragédia.

"É perturbador ver estes documentos, porque a diretoria do condomínio foi claramente informada de que havia problemas. E parece pelos documentos que as questões não foram abordadas", comentou.

Antes de os investigadores poderem examinar os destroços da estrutura para descobrir as causas do colapso, um processo que deverá levar meses, as equipes de resgate estão examinando o local para encontrar possíveis sobreviventes.

A exposição ao corrosivo ar salgado ao longo da costa sul do estado da Flórida é apontada como a causa provável do desmoronamento, mas não há certeza. Após um colapso de um outro prédio em Miami, Flórida, em 1974, foi imposta uma exigência de verificar após 40 anos as estruturas que resistiram a furacões da costa da Flórida, a tempestades e ao corrosivo ar salgado, que pode penetrar no concreto e enferrujar os vergalhões e vigas de aço no interior.

Outro dos problemas mencionados em 2018 foi o da má impermeabilização por baixo do deck da piscina, com a água "causando grandes danos estruturais à laje de concreto abaixo dessas áreas" e se expandindo exponencialmente à medida que continuava sem resolução.

Além disso, uma residente se queixou ainda em 2015 da água que entrava pelas janelas e portas das varandas, e que o concreto em muitas varandas também estava se deteriorando. O problema era que a impermeabilização foi colocada sem a necessária inclinação, de forma a permitir que a água escorresse, um problema que ele chamou de "grande erro" no projeto original.

Por sua vez, John Pistorino, outro engenheiro, que projetou o programa de inspeção de 40 anos quando era consultor local nos anos 1970, e que referiu os novos regulamentos, tais como a exigência de haver um engenheiro independente para verificar se a construção está de acordo com o projeto, não entende como este acidente pode ter ocorrido.

"Isto está tão fora da norma. Isto é algo que eu não consigo entender como aconteceu", comentou ele.


Com a Sputnik

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