Forças Armadas aprovam compra de 35 mil unidades de Viagra


Após o escândalo da compra de 1.184 toneladas de filé mignon, picanha e salmão, por R$ 56 milhões, o comando das Forças Armadas voltam a enrubescer a população brasileira com a aquisição de mais de 35 mil unidades de Sildenafila (nome genérico do Viagra), medicamento que costuma ser usado para tratar disfunção erétil.

De acordo com o Globo, os dados divulgados no Portal da Transparência e do Painel de Preços do governo federal mostram que ao menos oito pregões foram realizados por unidades ligadas à Marinha, ao Exército e à Aeronáutica.

A maioria das compras, feitas por meio de pregão, foram efetuadas durante a gestão do ex-ministro da Defesa, Walter Braga Netto, que se filiou recentemente ao PL e é cotado como vice no projeto de reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL).

As informações foram obtidas pelo deputado federal Elias Vaz (PSB-GO) e mostram que os processos de compra foram homologados em 2020 e 2021 e seguem válidos em 2022. O parlamentar apresentou ao Ministério da Defesa um requerimento no qual pede explicações sobre os processos de compra do medicamento.

"Precisamos entender por que o governo Bolsonaro está gastando dinheiro público para comprar Viagra e nessa quantidade tão alta. As unidades de saúde de todo o país enfrentam, com frequência, falta de medicamentos para atender pacientes com doenças crônicas, como insulina, e as Forças Armadas recebem milhares de comprimidos de Viagra. A sociedade merece uma explicação" disse o deputado, citado pelo jornal.

Nos processos de compra aprovados, o medicamento tem como destino a Marinha, com 28.320 comprimidos, o Exército, com 5 mil, e a Aeronáutica, 2 mil.

A Marinha e a Aeronáutica justificaram que as licitações visam o tratamento de pacientes com Hipertensão Arterial Pulmonar (HAP). A Marinha declarou ainda que se trata de uma “doença grave e progressiva que pode levar à morte”. O Exército não respondeu aos questionamentos.

No entanto, apesar de a Sildenafila de fato ser utilizada para a HAP, a dosagem das unidades encomendadas pelo comando das Forças Armadas, de 25 mg ou 50 mg, não é orientada para essa finalidade, conforme mostram informações da própria bula do remédio. De acordo com a coordenadora da Comissão de Circulação Pulmonar da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), Veronica Amado, citada pelo Globo, a Sildenafila utilizada para a HAP é apenas na dosagem de 20 mg.

Além do Viagra para as FA, o Ministério da Defesa também fez a aquisição de Minoxidil e Finasterida, os dois principais remédios para combater a calvície masculina. O gasto foi de R$ 2,1 mil.

Deputados acionam MPF: 'superfaturamento'

Os deputados federais Marcelo Freixo (PSB-RJ) e Elias Vaz (PSB-GO) disseram que vão acionar o Ministério Público Federal (MPF) pedindo apuração para saber se houve superfaturamento na compra do medicamento. Os parlamentares fizeram um levantamento e constataram que o índice de sobrepreço pode chegar a 143%.

Repercussão nas redes

Políticos da oposição também usaram as redes sociais para lembrar que sob o governo Jair Bolsonaro (PL), as Forças Armadas têm o histórico de compras suspeitas, como nunca antes visto.

Pelo Twitter, o senador Humberto Costa (PT-PE), médico e ex-ministro da Saúde, caçoou: "Virou farmácia?". O deputado Paulo Pimenta (PT-SP) ressaltou: "A mamata não para". A deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS) questionou: "Prioridades, né?".

Internautas também fizeram piada com mais esse escândalo.




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