Frente Parlamentar de Niterói negocia compra da Sputnik


Binho Guimarães, que preside a Frente Parlamentar, tomou a iniciativa de fazer contato com os russos / Luiz Erthal

Menos de 24 horas após ser criada na reunião plenária da Câmara de Vereadores de quinta-feira, a Frente Parlamentar da Vacinação Contra da Covid-19 já abriu negociações internacionais para tentar viabilizar a compra de vacinas pelo município de Niterói.


O vereador Binho Guimarães, líder do PDT e presidente do bloco no parlamento municipal, travou contato na manhã desta sexta-feira, 26, com o Fundo Soberano da Rússia, que coordena a distribuição da vacina produzida naquele país, a Sputnik. O parlamentar apelou às autoridades russas para atenderem o pedido de Niterói, usando expressões como “catástrofe” e “tragédia anunciada” para descrever a situação da cidade, dentro do contexto da pandemia no Brasil.


A intenção é tentar conseguir junto ao Instituto Gamaleya, que produz o imunizante, pelo menos 600 mil doses para aplicar em 300 mil moradores da cidade (são duas doses para cada pessoa), que representaria a necessidade imediata do município, de acordo com informações do secretário municipal de Saúde, Rodrigo Oliveira.


Além do contato telefônico, Binho enviou, “em nome de todos os cidadãos de Niterói” e, segundo ele, autorizado pelo prefeito Axel Grael, uma carta de intenção de compra ao Fundo Soberano da Rússia, com cópia para o embaixador russo no Brasil, Serguey Pogóssovitch Akopov. Em tom dramático, o documento, de 12 páginas, expõe a necessidade vital da população niteroiense em ter acesso à vacina, tendo em vista o descaso do governo brasileiro no combate à pandemia.

Primeira das 12 páginas da carta enviada aos russos

“Infelizmente, com as hospitalizações e mortes aumentando em todo o país neste verão, estamos em uma corrida contra o tempo com o vírus. A menos que aumentemos drasticamente o número de doses que chegam aos cidadãos de Niterói, o cenário do município pode se tornar de catástrofe”, expôs o vereador na carta.


Ele relatou, ainda, as dificuldades enfrentadas pela cidade para conseguir vacinas no Brasil:


“Nossa empreitada começou em 2020, depois que Niterói e vários outros entes federativos pleitearam junto ao governo federal que adquirisse, em regime de urgência, mais doses de vacinas, fossem essas estrangeiras ou nacionais. O ex-Ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, decidiu então por atrelar todos os entes ao ‘Plano Nacional de Vacinação’, o que seria uma excelente iniciativa não fosse o caso de que, até o momento, o governo federal não cumpriu com a promessa de imunização em massa, o que nos coloca numa situação de vulnerabilidade extrema. Niterói recebeu, até março de 2021, o suficiente para vacinar apenas 10% de sua população, mesmo sendo um município integralmente preparado para implementar um programa de vacinação em larga escala. A perspectiva é de uma tragédia anunciada, tendo em vista que o plano nacional de vacinação não tem sido visto como prioridade pelo governo federal.”


Binho também relatou os esforços desenvolvidos em Niterói desde o começo da pandemia, ainda na gestão do prefeito Rodrigo Neves. “Niterói recebeu o Prêmio das Nações Unidas como modelo exemplar na luta contra o COVID-19. O prêmio foi concedido pelo Congresso Smart City Expo LATAM, evento que reuniu os principais atores dos setores público e privado para trabalhar e estabelecer alianças para a resiliência e reativação da América Latina”.


A carta relaciona, ainda, as principais medidas sanitárias e de apoio socioeconômico iniciadas em 2020 e que estão sendo seguidas pelo prefeito Axel Grael este ano. Binho também fez questão de sinalizar que Niterói tem “condições financeiras para fazer um contrato com prazos de pagamento rápidos considerando a saúde econômica do município, o que é uma exceção no Brasil em termos de equilíbrio fiscal”.


Além dos russos, a Frente Parlamentar também pretende buscar contatos com americanos, indianos e chineses, que poderiam socorrer o município, além de empresas nacionais, como a União Química, que deverá iniciar a produção da Sputnik no Brasil. Binho, que foi autor da proposta de criação da Frente, justifica a iniciativa parlamentar:


“Não é papel do legislativo municipal assumir essas ações, mas a inércia do governo brasileiro é tamanha que precisamos agir”, alegou. Niterói também participa do Consórcio Nacional de Prefeitos, que realiza igualmente gestões em vários países na tentativa de conseguir comprar vacinas.


A criação da Frente Parlamentar da Vacinação Contra a Covid-19 teve o apoio de todos os vereadores de Niterói, com exceção do bolsonarista Douglas Gomes (PTC), que se colocou contra a iniciativa.


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