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FUP defende construção de plataformas 100% no país

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) contestou, nesta segunda-feira (8/5), as declarações do diretor-executivo de Engenharia, Tecnologia e Inovação da Petrobras, Carlos Travassos, feitas à agência Reuters, contrárias à elevação do índice de conteúdo local na construção de plataformas no país, e que visam, principalmente, justificar encomendas colocadas, no governo passado, em estaleiros na Ásia.

Getty Images

“Com esta visão apequenada, Travassos está, no mínimo, mal informado. Conteúdo nacional é questão de política de governo. Não cabe a um diretor da Petrobrás se pronunciar oficialmente sobre o assunto, sobre o qual deve receber ordens e cumpri-las”, ressalta o coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar.


Bacelar destacou que, apesar do desmonte da indústria naval brasileira promovido nos últimos seis anos, a estrutura básica para a retomada de elevado conteúdo nacional não foi destruída e, mais importante, está mantida a competência técnica da engenharia, da universidade, das empresas brasileiras e dos trabalhadores.


“Como o diretor da Petrobras imagina que a capacitação tecnológica dos estaleiros estrangeiros foi conseguida, se não com políticas públicas de Estado para sustentar seus projetos desenvolvimentistas nacionais?”, indaga ele.


Na opinião do dirigente da FUP, a nova gestão da Petrobrás deveria suspender os editais de contratação de plataformas no exterior e destinar a construção para o Brasil.


“A Petrobrás pode, a qualquer momento que quiser, criar requisitos de conteúdo local”, afirma.


A retomada da política de conteúdo local faz parte das propostas da FUP, apresentadas por Bacelar, no grupo de trabalho (GT) de Minas e Energia, do governo de transição. Faz parte também das sugestões levadas ao Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável (CDESS), da presidência da República, do qual Bacelar é membro.


Segundo ele, não é verdade que a indústria nacional não conseguiria atender índices de conteúdo local em plataformas nos campos de Albacora, SEAP e Sépia e Atapu, como disse Travassos.


“O que exclui as empresas brasileiras é o modelo de contratação da Petrobrás, com contratos únicos, com fluxo de caixa negativo. A indústria nacional está tentando trabalhar na construção de módulos no Brasil. Mas só os estaleiros ligados à Keppel, na Ásia, têm recebido encomendas da matriz, e esta empresa não se dispõe a contratar concorrentes. Se a Petrobrás contratasse os módulos separadamente, eles poderiam ser construídos em estaleiros no país”, assegura o coordenador da FUP.


Bacelar lembra que representantes da FUP, em reunião com o vice-presidente da República e ministro Geraldo Alckmin, propôs a criação de um grupo de trabalho interministerial e com a sociedade civil para debater uma nova e ampla política de conteúdo local.


Fonte: FUP


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