Gazprom vai cortar gás da Polônia e da Bulgária


(Foto: Maxim Bogodvid/Sputnik)

Especialistas e autoridades de diferentes países estão cada vez mais alertando para a possível proibição do fornecimento de energia russa à União Europeia, algo que seria "fisicamente impossível" e afetaria seriamente o mercado de energia na Europa.

Nesta terça-feira (26), a empresa polonesa de petróleo e gás PGNiG informou que recebeu uma notificação da Gazprom, gigante russa da energia, da suspensão completa do fornecimento de gás pelo gasoduto de Yamal a partir desta quarta-feira (27).

Da mesma maneira, mais tarde nesta terça-feira (26), de acordo com a agência francesa AFP, o Ministério da Economia búlgaro afirmou que a empresa de gás russa suspenderá o fornecimento de gás também à Bulgária a partir desta quarta-feira.

"Em 26 de abril, a Gazprom informou a PGNiG de sua intenção de suspender as entregas sob o contrato Yamal no início do dia do contrato, em 27 de abril", disse em comunicado a empresa polonesa.

Segundo a companhia, "por enquanto, a infraestrutura de transporte de gás e de armazenamento subterrâneo está funcionando sem problemas".

A PGNiG afirma que os consumidores estão sendo abastecidos com o combustível "de acordo com a demanda atual".

Neste momento a ocupação de armazenamento é de cerca de 80%, divulgou a empresa. A taxa é significativamente superior à do período correspondente de anos anteriores, segundo o comunicado.

A PGNiG admite que se recusou a pagar o fornecimento de gás russo em rublos, mas considera a interrupção da entrega de combustível da Rússia "uma violação das obrigações contratuais".

"A PGNiG se recusou a cumprir suas obrigações de pagar o gás natural fornecido pela Gazprom sob o contrato Yamal em rublos russos, de acordo com o decreto do presidente da Rússia", diz o comunicado.

No dia 1º de abril, a Gazprom anunciou que notificou seus clientes do novo procedimento de pagamento do gás em rublos.

Um dia antes, em 31 de março, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, informou ter assinado um decreto "que estabelece regras para o comércio do gás natural russo com os chamados Estados hostis".

"A Gazprom, como empresa russa, cumpre incondicional e plenamente a legislação russa. A notificação do novo procedimento para pagamentos em rublos russos está sendo agora enviada oficialmente para as partes", disse a Gazprom na ocasião.

Corte na Bulgária

Segundo a AFP, o ministério búlgaro informou que as estatais do país Bulgargaz e Bulgarian Energy Holding (BEH) avaliavam a possibilidade de implementar o novo procedimento.

Porém o órgão afirmou que não concorda com o contrato válido até o fim do ano e que as regras trazem riscos significativos para o lado búlgaro. Um dos riscos, segundo o ministério, seria "efetuar pagamentos sem receber gás do lado russo".

Segundo o ministério, ainda conforme a agência, "o lado búlgaro cumpriu integralmente suas obrigações e fez todos os pagamentos exigidos sob seu contrato atual em tempo hábil, estritamente e de acordo com seus termos".

De acordo com o comunicado, o ministério, a BEH, a Bulgargaz e a Bulgartransgaz, operadora do sistema de transporte e armazenamento de gás do país, tomaram medidas sobre acordos alternativos de fornecimento de gás. Até agora, segundo a nota, não houve restrições ao consumo de gás na Bulgária.

'Tiro na cabeça' para a economia europeia

Na quinta-feira passada, a secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, alertou seus colegas europeus contra a tomada de medidas precipitadas. "A médio prazo, está claro que a Europa precisa reduzir sua dependência da Rússia em relação à energia. Mas é preciso ter cuidado ao avaliar uma proibição total da Europa às importações de petróleo, por exemplo", disse Yellen. .

O primeiro-ministro alemão Olaf Scholz também alertou que a proibição do gás russo não interromperá o conflito na Ucrânia, mas causará uma crise econômica na Alemanha e na UE.

Segundo alto funcionário dos EUA, citado pela agência Russian Today (RT), as tentativas do Ocidente de "prejudicar a Rússia" ao proibir seu fornecimento de energia "poderiam ter pouco impacto negativo" no país, que é capaz de exportar menos energia aumentando os preços dos suprimentos. . "Isso sem dúvida aumentará os preços mundiais do petróleo e terá um efeito prejudicial na Europa e em outras partes do mundo", acrescentou.

Em artigo publicado domingo último (24), a Bloomberg aponta que a interrupção do fornecimento de gás russo também afetaria "imediatamente" o mercado europeu e poderia forçar a UE a racionar energia pela primeira vez desde a década de 1970. Na época, esse cenário ecoaria em outros países do mundo, como Paquistão ou Argentina. "As nações emergentes serão pressionadas pela sede de energia da Europa, especialmente gás natural liquefeito, enquanto lutam para competir em preço", escreve Bloomberg.

Por sua parte, Alexánder Frolov, vice-diretor do Instituto Nacional de Energia da Rússia, explicou ao portal BMF.ru que a UE ainda está sob os efeitos da crise energética de 2021, portanto, a proibição das importações de energia russa seria como um " headshot " para a economia do bloco comunitário.

"Em condições de crise energética global, o problema de substituir o player dominante no mercado torna-se fisicamente impossível porque é impossível obter cerca de 150 bilhões de metros cúbicos de gás de algum outro fornecedor, por exemplo", destacou Frolov, lembrando que um Situação semelhante também é registrada no mercado de petróleo.


Com a Sputnik e a RT

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