Gilmar: união de Moro e Dallagnol na política é 'confissão'


Ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que a união entre o ex-juiz Sergio Moro (Podemos) e o ex-procurador da República Deltan Dallagnol (Podemos) no mesmo partido político é uma "confissão" de que ambos já atuavam juntos desde a Operação Lava Jato. Segundo o magistrado, tudo o que se associa a Sergio Moro tem relação com arbitrariedade. E disse ainda que a criação da Fundação Dallagol "iria alimentar a campanha política do partido. Era um fundo eleitoral".

Mendes deu essas declarações em uma entrevista ao portal UOL nesta segunda-feira (20).

"É a confissão de que eles já jogavam juntos antes. Isso é formalidade? Grampear advogados, fazer combinação com o promotor, receber sugestões sobre testemunhas, controlar as delações", criticou o magistrado.

Ao falar da entrada de Moro na política, Gilmar Mendes destacou que o ex-juiz já havia "recebido convite de Bolsonaro para ser ministro entre o 1º e o 2º turno. Portanto, ele já estava em uma condição de dificuldade de ser imparcial. Ele já fazia uma atividade político-partidária sob as vestes da toga, como juiz. Ele também vazou informações relativas a [Antonio] Palocci [ex-ministro da Economia, do governo Lula], que teve repercussão sobre as eleições [de 2018]. Depois, aceitou ser ministro de Bolsonaro. Tudo isso foi anotado no debate sobre a suspeição, mostrando que havia exageros, que a imagem de imparcialidade precisava ser preservada. Agora, pelo menos, seguiu o caminho normal. Vai fazer política, vincula-se a um partido politico".

Para Gilmar Mendes, depois que Moro foi desmascarado e condenado pelo Supremo, por parcialidade e suspeição nos processos contra o ex-presidente Lula, seu nome "parece que não dá sorte" a quem tenta seguir os passos do ex-juiz de Curitiba.

"A senadora Juíza Selma [PSL-MT], que era chamada de 'Moro do Pantanal', foi cassada por corrupção. O [Marcelo] Bretas, no Rio de Janeiro, é chamado de 'Novo Moro'. Esse nome parece que não dá sorte", disse Mendes.

O ministro do Supremo detonou também a intenção de Dallagnol - então coordenador da Lava Jato, que foi extinta pelo presidente Jair Bolsonaro com a famosa frase "eu acabei com a lava jato" - em criar uma fundação com os recursos da Lava Jato sob o pretexto de combater a corrupção.

"Essa Fundação Dallagnol estava criando um fundo, alguma coisa como R$ 4 bilhões para combate à corrupção, que seria manejada por eles próprios. Dinheiro que veio da Petrobras. Alguém consegue adivinhar para onde iria este dinheiro agora se essa fundação estivesse funcionando? Iria alimentar a campanha política do partido. Era um fundo eleitoral", afirmou o magistrado.

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