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Globo repudia agressão a jornalista e atribui à retórica de Bolsonaro

  • 31 de out. de 2021
  • 2 min de leitura

Atualizado: 1 de nov. de 2021


Jornalistas foram hostilizados por Bolsonaro e agredidos por segurança que o acompanhavam (Reprodução)

O jornalista Leonardo Monteiro, correspondente da Globo que acompanhou a presença do presidente Jair Bolsonaro na cúpula do G-20, em Roma, na Itália, foi hostilizado por Bolsonaro e agredido covardemente com um soco no estômago por um dos seguranças que estavam ao redor dele. Monteiro não foi o único jornalista agredido. Após o repórter Jamil Chade, do UOL, filmar a violência para identificar o agressor, o segurança o empurrou, o agarrou no braço para torcê-lo e arrancou o celular da sua mão - depois jogou o aparelho num canto da rua.

Os fatos se sucederam ao fim da cúpula do G-20, quando Bolsonaro saiu para encontrar apoiadores perto da embaixada brasileira, no centro de Roma, enquanto outros presidentes davam entrevistas coletivas.

As agressões ocorreram quando Monteiro perguntou o motivo de o presidente não ter participado de alguns eventos do G-20 com outros Chefes de Estado.

Monteiro: “Presidente, presidente. O cara tá empurrando, gente. Presidente, por que o senhor não foi de manhã no encontro do G-20?”

Bolsonaro: “É a Globo? Você não tem vergonha na cara....”

Monteiro: “Oi, presidente, por que o senhor não foi de manhã nos eventos do G-20?”

Bolsonaro: “Vocês não têm vergonha na cara, rapaz.”

Monteiro: “Ei, ei, ei... o que é isso, tá maluco?” (Momento em que foi empurrado pelo segurança e agredido em seguida)

A Globo divulgou um editorial condenando a agressão ao seu correspondente e a outros jornalistas em Roma, e afirma que "exige uma apuração completa de responsabilidades". A emissora repudiou o acontecimento e culpou "a retórica beligerante do presidente Jair Bolsonaro contra jornalistas que está na raiz desse tipo de ataque".

Leia na íntegra o editorial:

"A Globo condena de forma veemente a agressão ao seu correspondente Leonardo Monteiro e a outros colegas em Roma e exige uma apuração completa de responsabilidades.

Quem contratou os seguranças? Quem deu a eles a orientação para afastar jornalistas com o uso da força? Os responsáveis serão punidos? A Globo está buscando informações sobre os procedimentos necessários para solicitar uma investigação às autoridades italianas.

No momento, ficam o repúdio enfático, a irrestrita solidariedade a Leonardo Monteiro e demais colegas jornalistas de outros veículos e uma constatação: é a retórica beligerante do presidente Jair Bolsonaro contra jornalistas que está na raiz desse tipo de ataque.

Essa retórica não impedirá o trabalho legítimo da imprensa. Perguntas continuarão a ser feitas, os atos do presidente continuarão a ser acompanhados e registrados. É o dever do jornalismo profissional. Mas essa retórica pode ter consequências ainda mais graves. E o responsável será o presidente."

 
 
 

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