Governo atuou 84 vezes no exterior por cloroquina


(Reprodução)

Mais grave até do que supunham os senadores da CPI da Covid, o governo federal buscou em 84 ocasiões adquirir do exterior garantia para produção de hidroxicloroquina no Brasil - o medicamento que não possui eficácia comprovada contra a covid-19, mas foi adotado pela Saúde como 'tratamento precoce'. É o que mostram telegramas do Ministério das Relações Exteriores enviados à CPI da Covid e obtidos pelo Globo.

Os telegramas apontam que os esforços do governo Jair Bolsonaro estiveram concentrados com a Índia, mas também os Estados Unidos. Os contatos ocorreram até junho do ano passado, enquanto o governo investia no aumento da produção do medicamento pelo Laboratório Químico e Farmacêutico do Exército (LQFex).

Diante das limitações de exportação de medicamentos da Índia, como já era do conhecimento da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), o presidente Jair Bolsonaro chegou a falar diretamente com o primeiro-ministro Narendra Modi, em abril do ano passado. No telefonema, Bolsonaro intercedeu em nome de empresas brasileiras, pedindo que a Índia liberasse a exportação dos produtos.

A Diretora do Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos, Sandra de Castro Barros, reforçou a atuação do governo brasileiro em favor das farmacêuticas que produzem cloroquina. Ela diz que o Itamaraty atuou por "ações de exportação ao Brasil, em favor de empresas produtoras do medicamento hidroxicloroquina para atender ao mercado interno".

De acordo com a maioria dos membros da CPI, a suposta eficácia da cloroquina foi usada o tempo todo por Bolsonaro para desprezar a vacinação - negando-se inclusive a comprar vacinas -, o isolamento e até o uso de máscaras, tendo como objetivo alcançar a chamada imunidade de rebanho, defendida por seus aconselhadores do chamado "gabinete paralelo" da Saúde.

No sábado, após o Brasil ultrapassar a marca de meio milhão de mortos pela covid, o grupo majoritário da CPI divulgou nota, afirmando que "os responsáveis pagarão por seus erros, omissões, desprezos e deboches" e que o país não chegou "a esse quadro devastador, desumano, por acaso", acrescentando a nota que "há culpados e eles, no que depender da CPI, serão punidos exemplarmente".

Na sexta-feira, a CPI determinou as quebras de sigilos fiscal, bancário, telefônico e telemático de empresários envolvidos com o governo Bolsonaro em situações de interesse relacionadas à pandemia. Um deles é Renato Spallici, aliado de Bolsonaro, e dono da Apsen Farmacêutica, maior fabricante de cloroquina do Brasil e apontada como uma das empresas para as quais o presidente da República fez pedidos diretamente ao primeiro-ministro indiano. A Apsen assinou dois contratos de empréstimo com o BNDES em 2020, no total de R$ 153 milhões, para investir em atividades de pesquisa e ampliar sua capacidade produtiva. O valor é sete vezes maior do que o crédito liberado para a empresa nos 16 anos anteriores somados. contratos assinados, em 2019, com o BNDES no valor R$ 153 milhões.

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