Governo escondeu compra de máscara imprópria contra covid


(Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

O governo federal não declarou ao Ministério Publico Federal (MPF) uma aquisição de máscaras impróprias para profissionais da saúde pelo dobro do preço pago por outro modelo de eficácia comprovada quando a pandemia de covid-19 estourou, no início de 2020.

Em meio à pandemia, o governo pagou R$ 3,59 por máscara do tipo PFF2, considerado um dos melhores modelos para proteção contra o coronavírus, e pagou R$ 8,65 por unidade de uma máscara que acabou sendo inutilizada por ser imprópria a profissionais de saúde, segundo a Folha de São Paulo. O contrato de menor valor, entretanto, foi ocultado do MPF para esconder a informação de que havia sido pago mais do que o dobro do preço pelo equipamento de proteção inadequado.

As duas compras foram feitas com dispensa de licitação. A informação só foi fornecida após insistência do MPF. Agora, a Procuradoria da República também investiga irregularidades na aquisição de equipamentos de proteção impróprios, do tipo KN95, de fabricação chinesa.

O então secretário-executivo do Ministério da Saúde, coronel Élcio Franco, e o então diretor do Departamento de Logística em Saúde, Roberto Ferreira Dias, eram os principais responsáveis pela aquisição de medicamentos e equipamentos de proteção contra a covid-19.

Eles foram cobrados por procuradores para entregarem a relação de todos os contratos de compra de máscaras feitos pelo ministério durante a pandemia.

Em ofício entregue ao MPF em novembro de 2020, Roberto Dias ocultou a existência do contrato com a 3M do Brasil. No principal inquérito em curso, a procuradora Luciana Loureiro cobrou novas informações, em 30 de março deste ano. Em 14 de abril, Dias voltou a omitir a existência da compra da PFF2, afirmando existir apenas o contrato com Freddy Rabbat, dono da 356 Distribuidora, Importadora e Exportadora.

A 356 Distribuidora, por meio dos advogados Eduardo Diamantino e José Luis Oliveira Lima, afirmou em nota que os preços estavam abaixo da média de mercado.

"Na ocasião, houve aumento sem precedentes da demanda mundial, o que influenciou os preços. Apesar da competição, o Brasil conseguiu concluir a aquisição, feita diretamente entre governo e fornecedora chinesa", disse a distribuidora em declaração, citado pela Folha, que relata que tentou entrar em contato com a 3M do Brasil e o Ministério da Saúde, mas ambos não responderam.

Tanto o coronel Élcio Franco como o ex-diretor de Logística, Roberto Dias, foram ouvidos pela CPI da Covid sob suspeitas de envolvimento em irregularidades.

300x250px.gif
728x90px.gif