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Imprensa ameaça vestir de novo a camisa de Moro

3 de mai. de 2020
3 min de leitura

Depoimento de Moro, sem vazamento, na PF durou mais de oito horas (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

A jornalista Flavia Lima, Ombudsman da Folha SP, escreveu em sua coluna, neste domingo (03), que o jornalismo ameaça vestir novamente a camisa de Sérgio Moro. Sob o título “A imprensa e seu ídolo”, a colunista diz que “as muitas matérias feitas a respeito ao longo da semana exploraram o diz que diz e os crimes que podem ter sido cometidos pelo presidente ao ter requisitado à Polícia Federal acesso a relatórios de inteligência e sugerido investigações”. Flavia questiona, porém, os indícios de que o ex-juiz da Lava Jato e ex-ministro da Justiça poderá ser blindado de críticas. “Sobre Moro, o que não foi visto (ou lido) indica que, mais uma vez, a imprensa corre o risco de que a sua antiga reverência ao personagem lhe poupe de questionamentos”, afirmou a colunista da Folha.

Oito horas de depoimento

Sérgio Moro foi ouvido, neste sábado (02), na sede da Polícia Federal em Curitiba, no inquérito que investiga se o presidente tentou interferir politicamente na Polícia Federal, como acusou o ex-ministro. O depoimento, não vazado para a imprensa, durou mais de oito horas. Moro teria apresentado novas provas contra o presidente.

Moro deixou o prédio da Polícia Federal por volta da meia-noite, sem falar com os jornalistas que o aguardavam na saída. Desta vez foi o ex-juiz a se submeter às perguntas de delegados da PF, sob o olhar de três procuradores nomeados para acompanhar as diligências pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, que foi quem pediu a abertura da investigação. A oitiva foi conduzida também pela delegada Christiane Correa Machado, chefe do chamado Serviço de Inquéritos Especiais (Sinq), que apura investigações em trâmite no Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo o jornal O Globo, em seu depoimento Moro reafirmou, desta vez oficialmente à Polícia Federal, as acusações feitas contra Bolsonaro no pronunciamento em que anunciou sua demissão do Ministério da Justiça, em 24 de abril.

O ex-ministro também teria entregado provas contra o presidente sobre sua atuação para interferir diretamente na PF, e colocado à disposição seu celular, para que os investigadores tenham acesso a conversas mantidas por ele em aplicativos de mensagens.

Moro já havia mostrado ao Jornal Nacional, da TV Globo, uma troca de mensagens com Bolsonaro, em que o presidente cobra a troca do comando da Polícia Federal após citar uma investigação envolvendo aliados do governo. Segundo O Globo, o ex-ministro apresentou novas provas à PF neste sábado, além das mensagens já divulgadas pela imprensa brasileira.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) havia pedido que, na oitiva, Moro fizesse uma "manifestação detalhada sobre os termos do pronunciamento [que anunciou sua demissão], com a exibição de documentação idônea que eventualmente possua acerca dos eventos em questão".

Citado pelo jornal carioca, o advogado de Moro, Rodrigo Sanches Rios, informou em nota que, "como a investigação está em andamento, nossa manifestação será apenas nos autos".

À espera do ex-juiz, tanto manifestantes pró-Moro quanto adeptos de Bolsonaro se concentraram desde a manhã de sábado próximo à sede da polícia. Registraram-se protestos e momentos de tensão, rapidamente apaziguados pelos agentes locais, segundo a imprensa.

Horas antes de o ex-ministro começar seu depoimento na Superintendência da Polícia Federal, Bolsonaro se referiu a ele como "judas", à saída do Palácio da Alvorada, em Brasília. "Ninguém vai fazer nada que contrarie a Constituição. Fiquem tranquilos que ninguém vai querer dar o golpe contra mim", acrescentou o mandatário.

Com informações da Deutsche Welle

 
 
 

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