Guedes admite que offshore foi para fugir de impostos


Paulo Guedes depôs sobre offshore em paraíso fiscal (Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados)

Acusado de sonegar impostos no Brasil ao manter uma offshore em paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas com mais de R$ 50 milhões, o ministro da Economia, Paulo Guedes, declarou nesta terça-feira (22) que a offshore foi usada como estratégia para escapar de impostos nos Estados Unidos. A declaração foi feita durante audiência conjunta das comissões de Trabalho, de Administração e Serviço Público e a de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados, em que o ministro foi chamado para explicar possível conflito de interesses.

Segundo Guedes, a offshore que mantém em paraíso fiscal é "absolutamente legal" e negou que haja conflitos de interesse com a manutenção da conta. No entanto, o ministro admitiu que enviou o dinheiro para fugir da cobrança de tributos nos Estados Unidos e, consequentemente, no Brasil.

O ministro alegou que o envio do dinheiro - US$ 9,55 milhões em 2014, correspondente a R$ 37 milhões na época, quando o dólar era cotado a R$ 3,85 - foi feito para investimento em ações norte-americanas. Segundo ele, a offshore foi usada como uma forma de evitar os impostos nos EUA em caso de sua morte.

“Se tiver uma conta em nome da pessoa física, se você falecer, 46%, 47% é expropriado pelo governo americano. Tendo uma conta em pessoa física, todo seu trabalho de vida, ao invés de deixar para herdeiros, vira imposto sobre herança. Então o melhor é usar offshore. Se eu morrer, invés de metade ser apropriado pelo governo americano, vai para a sua sucessão. Isso é o que explica colocar um parente”, declarou o ministro da Economia.

A offshore de Guedes, chamada Dreadnought International, colocada em nome da filha Paula Drumond Guedes e da esposa Maria Cristina Bolivar Drumond Guedes - como diretoras e acionistas - foi revelada no início de outubro pela investigação Pandora Papers.

Apesar de ter declarado que possuía a offshore quando assumiu o Ministério da Economia, Guedes não teria detalhado os valores alocados na conta e ainda escondeu a participação da filha e da esposa.

Outra denúncia contra Guedes refere-se ao aumento do dólar desde que ele assumiu o posto de "super-ministro" do governo Jair Bolsonaro. Atualmente, a cotação é de R$ 5,37, e o valor detido pela offshore vale hoje R$ 51,3 milhões - um lucro de R$ 14 milhões com a valorização da moeda norte-americana em relação ao real.

Guedes culpou a pandemia da covid-19 e as tensões políticas pela alta do dólar e tentou justificar a declaração feita há um mês atrás que, se fizesse "muita besteira, o dólar iria a R$ 5".

“Mandei ver o que aconteceu, nos últimos 3 anos, quando o dólar subiu mais do que 2%. Foi sempre política ou doença. Nada pela economia”, alegou.

No ano passado, o Conselho Monetário Nacional (CMN) alterou os valores que devem ser declarados ao Banco Central (BC) e elevou o piso de capitais para contas no exterior, o que levantou também a suspeita de o ministro tenha atuado em benefício próprio, o que representaria conflito de interesses.

'Com a boca na botija'

O deputado Rogério Correia (PT-MG) afirmou que o ministro, na verdade, “foi pego com a boca na botija sonegando impostos”. “Offshore tem como objetivo fugir dos impostos do país de origem", continuou o parlamentar, e acrescentou: "Se o senhor aplicasse aqui no Brasil pagaria 15% de imposto, lá fora deve ser próximo de zero. O Brasil tem mais de R$ 400 bilhões em sonegação e o senhor dá mau exemplo.”

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