Guedes favorece Flávio com nomeação de bolsonarista na Receita


João José Tafner (ao centro), com Eduardo Bolsonaro e Marcus Dantas (Foto: Reprodução)

O auditor fiscal João José Tafner foi nomeado nesta terça-feira (1º) para assumir o comando da Corregedoria da Receita Federal. Tido como bolsonarista, que participou até de atos de campanha em 2018, Tafner será responsável por uma área de interesse do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), envolvido no escândalo das rachadinhas. A nomeação foi publicada no Diário Oficial da União (DOU), com a assinatura do ministro da Economia, Paulo Guedes.

Desde meados do ano passado, a família Bolsonaro tentava emplacar na Corregedoria da Receita um nome de sua preferência. O interesse de Flávio é destravar uma de suas teses de defensa que visa anular a origem da investigação do caso das rachadinhas.

O comando da corregedoria estava acéfalo desde a saída de José Pereira de Barros Neto, demitido em julho do ano passado, por ordem do presidente Jair Bolsonaro (PL) - conforme informação do Globo. Barros Neto havia sido alvo de um pedido de investigação por parte de Flávio, que acusou o então corregedor por suposta prevaricação, o que não foi comprovado por uma investigação instaurada no Ministério da Economia. Após o caso ser arquivado, Paulo Guedes tentou nomear para o posto o auditor Guilherme Bibiani. Entretanto, na época, a nomeação foi travada pelo filho 01 do presidente que insistia em ter alguém de sua confiança no cargo.

Flávio queria a nomeação do auditor fiscal aposentado Dagoberto da Silva Lemos, nome que enfrentava resistência inclusive no corpo técnico da Receita Federal. Diante do impasse, conversas passaram a ser feitas para que um terceiro nome fosse escolhido.

A defesa de Flávio alega que a investigação da "rachadinha" teria sido iniciada a partir da atuação irregular de auditores da Receita no Rio de Janeiro.

Flávio é acusado pelos crimes de peculato, organização criminosa e lavagem de dinheiro, junto com o ex-assessor Fabrício Queiroz, apontado como operador do esquema, além de mais 15 pessoas.

Em novembro, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou por 3 votos a 1 ação do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) e optou pela manutenção do foro privilegiado para o senador no processo.

Clima tenso

A chegada do auditor João José Tafner tem deixado o clima tenso entre os servidores da Receita Federal. Segundo informações do Globo, os colegas de trabalho de Tafner temem que a sua chegada possa interferir nas decisões do departamento para favorecer o clã Bolsonaro.

Além da falta de experiência na área correcional (Tafner fez carreira na área aduaneira) pois chefes de corregedoria precisam ter conhecimento prévio em investigações, e os servidores acreditam que a relação de Tafner com a família Bolsonaro pode influenciar sobre como ele conduzirá o órgão.

Durante a campanha de 2018, o auditor demonstrou grande proximidade com o clã. Ele posou para fotos ao lado do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e do candidato a deputado estadual pelo PSL Marcus Dantas.

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