Guedes pode responder no Supremo e em CPI por offshore


Ministro da Economia, Paulo Guedes, pode ser investigado por offshore milionária (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O líder da oposição no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), entrou com uma notícia-crime no Supremo Tribunal Federal nesta segunda-feira (4) para investigar as revelações de paraísos fiscais envolvendo o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, no Pandora Papers.

O senador alega que os fatos revelados na reportagem do site Poder 360 podem ser enquadrados como conflito de interesses e improbidade administrativa.

“A conduta do Sr. Paulo Guedes, ocupante do cargo de Ministro de Estado da Economia, configura, em tese, o cometimento de crime de responsabilidade pelo Ministro –por violação à necessária probidade na administração”, escreveu o senador em rede social.

Já o deputado Ivan Valente (PSOL-SP) levou o caso à Comissão de Ética Pública da Câmara. Valente pede que Guedes e Campos Neto sejam afastados dos cargos. Na denúncia levada à comissão, o parlamentar argumenta sobre "a clara situação de conflito de interesses entre o exercício dos referidos cargos e a manutenção de empresas com fortunas em paraísos fiscais".

Além da apuração do caso pela comissão, o deputado solicita ainda que as informações sejam enviadas ao Ministério Público Federal "para fins de instauração de ação de improbidade administrativa, tendo em vista situação configurada no presente caso".

A oposição também articula uma CPI para investigar o caso.

Pandora Papers

No domingo (3), o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, na sigla em inglês) divulgou documentos dentro da Pandora Papers, investigação sobre paraísos fiscais promovida pelo projeto, que reúne mais de 600 repórteres de 151 veículos em 117 países e territórios.

Cerca de 35 atuais e ex-líderes mundiais, bem como mais de 330 políticos e funcionários públicos em todo o mundo são mencionados nos documentos. Veículos brasileiros revelaram que Guedes e Campos Neto mantêm empresas milionárias em paraísos fiscais, situação em que pode haver conflitos de interesses, segundo especialistas.

Foi apurado que, quando assumiu o ministério da Economia em 2018, Guedes tinha US$ 9,55 milhões, o equivalente a R$ 37 milhões, em apenas uma offshore nas Ilhas Virgens Britânicas. A valorização do dólar apenas durante sua gestão à frente da economia brasileira pode ter rendido a ele um lucro de R$ 14 milhões.

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