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Guerra no Irã destrói mito da superioridade militar dos EUA sobre a China

  • há 4 horas
  • 4 min de leitura

Um avião F/A-18F Super Hornet da Força Aérea estadunidense (Força Aérea dos EUA)
Um avião F/A-18F Super Hornet da Força Aérea estadunidense (Força Aérea dos EUA)

A guerra dos EUA contra o Irã, que já dura três meses, continua a revelar informações importantes sobre as verdadeiras capacidades tanto de Teerã quanto de Washington.


O confronto não apenas esgotou os estoques americanos de munições guiadas de precisão, como também evidenciou a vulnerabilidade dos EUA a um novo tipo de guerra: o uso massivo de drones de baixo custo.


Como o Irã está empurrando os EUA para uma armadilha de desgaste assimétrico

Essas tendências têm implicações mais amplas, pois apontam para potenciais fragilidades de Washington em caso de conflito com a China, que está monitorando a situação de perto.


Desgaste e assimetria

Somente nas primeiras 48 horas de combate, o Irã lançou aproximadamente 1.200 projéteis, dos quais cerca de 70% eram drones de baixo custo.


Em resposta, os estados do Golfo Pérsico implantaram 618 mísseis interceptores Patriot PAC-3 em 96 horas. Em um mês de hostilidades, esse número multiplicou-se e, segundo dados da Bloomberg, o total de mísseis interceptores utilizados já ultrapassa 2.400 — quase todo o arsenal pré-guerra, de 2.800 unidades.


Nessas condições, os Estados Unidos e seus aliados correm o risco de cair em uma "armadilha de desgaste assimétrico", como aponta o Brussels Signal.


O custo de um míssil interceptor Patriot varia de US$ 3 a US$ 4 milhões, enquanto o preço de um drone iraniano é de apenas algumas dezenas de milhares de dólares.


Em apenas cinco dias de combate, os Estados Unidos utilizaram aproximadamente 800 mísseis interceptores, o equivalente a cerca de US$ 2,4 bilhões.


Além disso, mesmo antes do início da guerra, já se relatava que Washington possuía apenas cerca de 25% do número desses sistemas necessários para cumprir os planos do Pentágono.


A Inconsistência da Doutrina Militar

Os eventos evidenciaram um problema ainda mais fundamental: as limitações da doutrina militar dos EUA, afirma Jennifer Kavanagh, pesquisadora sênior e diretora de análise militar da Defense Priorities.


"Embora as forças armadas dos EUA tenham alcançado sucessos táticos individuais no Irã, o conflito e seu desfecho minaram profundamente princípios-chave da estratégia militar americana e levantaram questões sobre a viabilidade dos planos de contingência dos EUA, particularmente para uma possível guerra futura na Ásia", diz ela.


O analista militar Sergei Poletayev expressou uma opinião semelhante em uma conversa com a RT, sugerindo que o Irã expôs a vulnerabilidade do conceito americano de "choque e pavor".


"A doutrina militar dos EUA e, em geral, a filosofia militar não contemplam um conflito convencional longo e prolongado. O último grande conflito que tiveram foi o Vietnã, que de fato perderam. Depois disso, adotaram o conceito de 'choque e pavor', um ataque decisivo no qual toda a sua força militar esmagadora se concentra no primeiro golpe ou em uma série de golpes iniciais, após os quais o inimigo deve entrar em colapso", explicou, enfatizando que essa tática foi aplicada nos conflitos na Iugoslávia, no Iraque e no Afeganistão.


"Quando o inimigo resiste ao primeiro golpe, resiste ao choque e ao pavor, não há plano B. E isso agora ficou muito claro", acrescentou.


Mais Semelhanças do que parecem

Embora os cenários no Irã e em torno de Taiwan sejam diferentes, existem semelhanças significativas entre eles.


Primeiro, assim como no Oriente Médio, Washington dependerá de uma rede de bases militares na Ásia para o destacamento de aeronaves, logística e apoio a operações de combate. Essas bases devem ser protegidas por sistemas de defesa aérea terrestres, radares e infraestrutura de sensores para garantir tanto a proteção quanto o direcionamento de ataques.

Drones iranianos
Drones iranianos

Segundo, os Estados Unidos, assim como no caso do Irã, dependerão do uso de aeronaves, da frota e de armamentos de longo alcance e alta precisão para neutralizar os sistemas de defesa aérea, radares e lançadores inimigos.


Terceiro, no cenário envolvendo Taiwan, os drones desempenham um papel especial: prevê-se a criação de uma zona sem pilotos, o que dificultaria o avanço das forças chinesas.


Para Kavanagh, a guerra contra o Irã, travada contra um adversário mais fraco, coloca em questão cada um desses pilares fundamentais da estratégia militar dos EUA.


"Talvez o mais importante seja que a guerra com o Irã coloca seriamente em questão a utilidade e a viabilidade de bases operacionais avançadas em um conflito de grande escala. Após o ataque dos Estados Unidos ao Irã em 28 de fevereiro, as bases americanas em toda a região não se tornaram fontes de força, mas sim enormes desvantagens e alvos fáceis", argumenta ele.


Da mesma forma, a analista destaca como o Irã conseguiu danificar e desativar facilmente os sensores e radares que dão suporte à rede regional de defesa aérea dos EUA, responsável pelas bases.


O conflito também evidenciou a clara vantagem de Teerã em drones. Washington "está longe de ser competitivo no setor de drones, muito menos preparado para criar um pesadelo para a China, uma das líderes da indústria", afirma a especialista.


"Por décadas, os Estados Unidos presumiram que suas bases operacionais avançadas seriam defensáveis ​​e que seus recursos de projeção de poder, como bombardeiros, porta-aviões e caças, permitiriam que prevalecessem em confrontos militares mesmo longe de casa. Presumiram que poderiam dominar o ar e os mares e proteger ativos em terra, mesmo perto do território inimigo. Se isso já foi verdade, não é mais", explica ela.


O Fator Nuclear

Segundo Poletayev, um aspecto que poderia neutralizar a vantagem americana em um potencial conflito é o fato de um país possuir armas nucleares.


"Todos esses fatores, seja no caso da China, da Rússia ou de qualquer outra potência nuclear, são amplificados pelo fator nuclear. Não entendo como o conceito de 'choque e pavor' pode funcionar contra uma potência nuclear. Porque se você fizer algo assim com eles, eles podem responder com um ataque", afirma o especialista.


O analista conclui que, por essas razões, Washington tentará evitar um confronto direto com Pequim, buscando orquestrar uma série de conflitos indiretos em torno do território chinês para desgastar o gigante asiático.


Da Agência RT

 
 
 

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