Guru de Moro serviu Maluf e deixou hiperinflação como legado


Affonso Celso Pastore, guru econômico de Moro (Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)

Nesta semana, o ex-juiz e ex-ministro da Justiça do governo Bolsonaro, Sergio Moro, se colocou como pré-candidato à Presidência da República em 2022 e confirmou que o economista Affonso Celso Pastore é o seu principal conselheiro econômico. Pastore foi presidente do Banco Central entre agosto de 1983 e agosto de 1985, durante o último governo da ditadura militar. O economista deixou a instituição quando a inflação acumulada estava em mais de 220% ao ano. Ele também foi secretário estadual de Fazenda no governo de Paulo Maluf, em São Paulo.

O economista é defensor intransigente do projeto de independência do Banco Central como forma de controlar os juros e a inflação. Costuma citar o exemplo de independência do Federal Reserve (FED) - o Banco Central dos Estados Unidos. No entanto, o FED trabalha com dois objetivos principais - além da inflação e juros - também o "máximo de emprego", item que não consta dos escritos do guru de Sergio Moro - este, condenado pelo Supremo Tribunal Federal como parcial nos julgamentos do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva.

Em 2015, Pastore criticou o governo Dilma Rousseff e o Banco Central pela inflação à época. Naquele ano, o país teve inflação de 10,67%, em boa parte devido ao processo de desestabilização da economia patrocinado pela direita e amplos setores do empresariado. Em resposta ao economista, o Banco Central divulgou nota na ocasião rebatendo a crítica e registrando que no período de Pastore à frente da instituição - durante o governo do general João Batista Figueiredo - "a inflação acumulada em 12 meses passou de 134,69% para 224,60%".

Pastore tem sido um dos maiores críticos do ministro da Economia, Paulo Guedes. Em setembro, em entrevista ao portal "Uol", afirmou que Guedes agia "como uma cheerleader (líder de torcida nos Estados Unidos).

"Não há política econômica, consequentemente não temos ministro da Economia. Ele no fundo é um propagandista do governo Bolsonaro. Está sendo uma peça no tabuleiro do presidente, não é uma peça que está encaixada dentro do tabuleiro no qual se deve jogar um jogo e produzir reformas que aumentem a eficiência da economia brasileira", criticou na ocasião.

Nesta quinta-feira, segundo reportagem do Estadão, Pastore disse que não tem pretensão de ser "Posto Ipiranga" de ninguém.

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