Haiti nomeia Joseph Lambert presidente interino


(Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

O Senado haitiano nomeou neste sábado (10) Joseph Lambert, atual chefe da Câmara Alta, como presidente interino do Haiti e negou a autoridade do primeiro-ministro interino, Claude Joseph, que se encontra no poder desde o assassinato de Jovenel Moïse. Também neste sábado, a primeira-dama Martine Moïse, que se recupera de ferimentos em um hospital em Miami, nos Estados Unidos, se pronunciou através de um áudio pela primeira vez após o incidente.

A resolução, assinada por oito dos dez senadores que ainda estão ativos, diz que Claude Joseph foi afastado do cargo na segunda-feira (5), no último decreto assinado por Moïse antes do seu assassinato, por um grupo de mercenários formado por 26 colombianos e dois norte-americanos, na quarta-feira (7).

A resolução afirma que Lambert assumirá o cargo de chefe de Estado até 7 de fevereiro de 2022, data em que terminaria o mandato de Jovenel Moïse. Sua primeira tarefa será criar um governo com a missão de organizar eleições.

De acordo com o texto, Claude Joseph não pode exercer as funções de primeiro-ministro desde segunda-feira passada, quando o presidente Moïse e nomeou Ariel Henry para o cargo por decreto, mas ele não foi empossado antes da morte do presidente.

Após o assassinato, Claude Joseph foi colocado no comando do governo, apoiado pela polícia e pelo Exército, e recebeu o apoio da Organização das Nações Unidas (ONU), dos Estados Unidos e de outros países para exercer as funções.

O Senado é o único órgão do país com funcionários eleitos, mas desde janeiro de 2020 não tem poderes para tomar decisões devido à falta de quórum.

A Câmara dos Deputados e dois terços do Senado deveriam ter sido renovados em 2019, mas as eleições foram adiadas devido à instabilidade política que o país atravessava naquele momento, o que levou ao encerramento da legislatura.

As autoridades haitianas disseram que pediram ajuda aos Estados Unidos e às Nações Unidas, para que enviassem tropas a fim de garantir a segurança em locais estratégicos, como portos, aeroportos, terminais petrolíferos e setor de transportes.

O assassinato do presidente haitiano, em sua residência, desestabilizou ainda mais o país mais pobre do continente americano, e levou o governo haitiano a declarar estado de sítio por um período de 15 dias.

Primeira-dama fala após tiro

Três dias após também ser ferida por um tiro durante a ação do grupo de mercenários que matou seu marido, Martine Moïse, primeira-dama do país, fez sua primeira declaração após o incidente. Através de um áudio publicado em rede social, ela disse que "querem assassinar o sonho do presidente" e "a ideia que [ele] tinha para o país", e insinuou quem seriam os algozes de Jovenel: "Vocês sabem contra quem o presidente estava lutando. Eles enviaram mercenários para assassinar o presidente em casa, com toda sua família, porque ele queria estradas, água, o referendo e as eleições no final do ano", assegurou Moïse.

Ela instou a população a não deixar que os outros, que "querem assassinar o sonho do presidente" e "a ideia que tinha para o país", tenham sucesso em fazer o presidente morrer "pela segunda vez".

Sobre sua saúde, Martine Moïse disse que está "viva, graças a Deus".

Martine ficou ferida durante o ataque, tendo sido transferida de um hospital em Porto Príncipe para uma unidade hospitalar em Miami, EUA, onde ficou "fora de perigo", segundo as autoridades.

"Não se pode deixar este assassinato impune", afirma ainda, acrescentando que os haitianos devem continuar a lutar porque "foi uma batalha que ele estava combatendo por nós", concluiu.

(Mensagem da primeira-dama Martine Moïse)


Magnatas e ex-senadores interrogados

Um procurador do Haiti convocou dois magnatas, Réginald Boulos e Dimitri Vorbe, e os antigos senadores da oposição Youri Latortue e Steven Benoît para prestarem depoimento sobre a morte do presidente.

Os quatro, conhecidos opositores de Jovenel Moïse, foram convocados para a próxima segunda-feira (12) pelo procurador Bed-Ford Claude, do Tribunal de Primeira Instância de Porto Príncipe.

O procurador convocou também quatro chefes da polícia e militares responsáveis pela segurança de Moise.


Com informações da Agência Brasil

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