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HIV/Aids foi tema da semana no programa 'A Nossa Saúde'

No 'Dezembro Vermelho', mês da luta contra o HIV/Aids, o programa 'A Nossa Saúde' desta terça-feira (6/12) abordou a prevenção e o tratamento da doença no Brasil. O convidado da semana foi o professor titular e coordenador do programa de mestrado profissional em HIV/Aids do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle, da UniRio/UFRJ, Fernando Ferry.

Fernando Ferry / Reprodução

No bate-papo com o apresentador, o Dr. Mauro Romero, Ferry lembrou que a doença, diagnosticada pela primeira vez no início dos anos 1980, era chamada de 'câncer gay', pois acometia inicialmente esse público em específico.


"Havia muito preconceito, discriminação e medo. Os infectados eram isoladas, seus objetos de uso pessoal separados dos demais. Aliás, o preconceito continua até hoje. Com o advento dos antirretrovirais a doença ficou até certo ponto controlada. Porém, passados 40 anos, os números da contaminação continuam altos", observou Ferry.


O médico ressaltou que em 1996 o SUS disponibilizou o tratamento gratuito, um coquetel com 25 comprimidos. Algumas pessoas, com comorbidades, chegavam a tomar 40 comprimudos por dia. Hoje, a doença é tratada apenas com uma pílula. O programa para testagem, dignóstico e tratamento totalmente gratuito na rede pública de saúde do Brasil - o que é raro em outros países - foi considerado um dos melhores do mundo. O Hospital Gaffrée e Guinle, um dos primeiros a se especializar em pesquisas e cuidados de pacientes infectados no Brasil, liderou a vanguarda na luta contra o HIV/Aids.


Cerca de 40 milhões de pessoas no mundo morreram em consequência da Aids. Hoje são 38,4 milhões infectadas pelo vírus HIV. Destas, 29 milhões estão em tratamento. Segundo Ferry, existe atualmente uma tendência de estabilização. Ainda assim, em 2021 foram 1,5 milhões de novos casos e 650 mil óbitos. No Brasil, entre a década de 1980 e 2022, os registros dão conta de 1,1 milhão de casos. Nos últimos cinco anos, sugiram 36,4 mil infectados e 38 mil mortes ocorreram neste mesmo período.


"A doença agora acomete mais homens jovens, na faixa de 15 a 25 anos, e afeta mais as camadas pobres da população. As causas principais são o não uso de preservativos e as relações sexuais sem proteção com múltiplos parceiros", comentou.


Fernando Ferry falou ainda da profilaxia pré e pós exposição. No primeiro caso, o paciente toma a medicação de forma preventiva, quando pretende ter contato íntimo com uma pessoa contaminada. Há, porém, efeitos colaterais que precisam ser levados em conta. Um deles é o surgimento de Hepatite C, em consequência das substâncias químicas presentes na fórmula.


Já a profilaxia pós-exposição, segundo ele, é menos agressiva. Depois de ter relações com uma pessoa infectada, o ideal é que o paciente comece a tomar os remédios no prazo de 72 horas. O tratamento dura 28 dias, com dois comprimidos/dia e sem efeitos colaterais signigficativos.


A grande questão, porém, de acordo com o apresentador Mauro Romero, professor da UFF e médico especializado em DST/IST, é que a profilaxia pré-exposição, além de causar Hepatite C, não protege contra outras doenças sexualmente transmissíveis como a sífilis, a clamídia, a gonorreia e o HPV, entre outras. A camisinha, nesse caso, ainda é a opção mais eficaz, segura e barata.


"O número de casos de sífilis em pessoas que fazem a profilaxia pré-exposição para HIV/Aids tem aumentado", observou Romero, citando exemplos de pacientes atendidos por ele no ambulatório de DST/IST da UFF, que preferem a medicação ao uso de camisinha.


O entrevistado da semana também deu dicas de prevenção. Além do uso de preservativos, que hoje são distribuídos gratuitamente nas unidades públicas de saúde, a testagem também é importante.


"Se existe alguma dúvida, procure a emergência do hospital e faça o teste. Basta um furinho no dedo para a coleta de sangue e o resultado é rápido. Em 10 minutos fica pronto. E comece logo a fazer o tratamento. Quanto mais rápido, melhor", aconselha.


O médico Fernando Ferry também aproveitou para elogiar o programa nacional HIV/Aids e disse que, apesar da evolução nas formas de tratamento, conviver com a doença ainda é um grande desafio para os pacientes.


"Hoje a taxa de transmissão vertical, de mãe para filho é zero. Ou seja, as crianças brasileiras não nascem contaminadas, como era antigamente. É uma vitória espetacular do programa nacional. Uma vitória que foi construída dentro da universidade pública e em institutos de pesquisa, como a Fiocruz. Ainda assim, o Brasil tem 40 mil casos por ano, a um custo alto. Os retrovirais são caros, mesmo com a quebra de patentes e com a produção de medicamentos no país. Se não houvesse o programa, que começou nas universidades, talvez tivéssemos hoje cinco a seis milhões de casos anuais e um número exorbitante de óbitos. Mas apesar dos avanços, ainda é uma doença que inspira cuidados. Atualmente, o tratamento é mais eficaz e traz mais conforto aos pacientes, mas o uso contínuo da medicação pode provocar outras doenças como a osteoporose, danos renais, aumento do colesterol e dos triglicerídios", diz ele.


Assista a entrevista completa:



Sobre o programa:


O programa 'A Nossa Saúde', na Rádio Toda Palavra, aborda questões relacionadas à qualidade de vida, medicina e bem-estar, sempre trazendo ao debate os temas da atualidade.


Apresentado por Mauro Romero Leal Passos, médico especialista em DST/IST e professor titular chefe do Setor de DST da Universidade Federal Fluminense (UFF), o programa possui um quadro de entrevistas e um espaço para esclarecer dúvidas dos ouvintes sobre o tema.


A atração é transmitida às terças-feiras, ao meio-dia, na faixa FM 98.5 (Zona Norte de Niterói e áreas adjacentes) e no site.


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