Há 78 anos gerações de palestinos resistem ao genocídio israelense
- há 7 horas
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Leila Salim Leal, jornalista brasileira no Líbado
Chatila, campo de refugiados palestinos no Líbano. Hoje, vivem aqui cerca de 25 mil palestinos e 50 mil sírios, segundo as organizações locais. Não há contagem oficial. As casas originais, térreas, viraram prédios, com andares empilhados que contam a história dos sucessivos deslocamentos forçados dessas populações. A família al-Khatib, que criou e mantém o Museu da Memória Palestina em Chatila, é um exemplo: expulsa da Palestina em 1948, refugiou-se no sul do Líbano. O campo em que viviam, em Nabatieh, foi totalmente destruído por ataques israelenses em 1974. O novo deslocamento os levou até Chatila. Vivenciaram ali o massacre de 1982, operado pelas falanges cristãs libanesas, de inspiração fascista, com apoio material de Israel.

No Líbano, há hoje cerca de 250 mil refugiados palestinos e 12 campos oficiais, além de bairros adjacentes que abrigam parte dessa população. Os registros oficiais da Agência da ONU para Refugiados Palestinos (UNRWA) contabilizam 500 mil, mas muitos já morreram ou fugiram do Líbano para outros países. Também segundo a UNRWA, apenas 12% dos palestinos que vivem aqui possuem cidadania libanesa. A imensa maioria vive em um limbo, sem registro oficial, impedida de retornar à Palestina e sem ser incorporada ao Líbano, incluindo as gerações nascidas aqui e que sempre viveram em território libanês.
Há 78 anos, refugiados palestinos aqui são privados de direitos básicos. O primordial, o direito de retorno à Palestina, segue inviabilizado pela expansão do apartheid colonial israelense. São impedidos de trabalhar formalmente, de adquirir propriedades, de acessar a seguridade social. Empurrados para a pobreza, vivem em campos ou bairros precários, superpopulosos, sem ventilação e com acesso limitado à água e eletricidade.
O jornalismo brasileiro precisa vencer o bloqueio editorial e abrir o debate franco, com vozes palestinas, sobre o significado do 15 de maio. A Nakba é contínua. A data marca 78 anos da catástrofe, mas também da resistência e da memória. As novas gerações não esqueceram, como desejaram os ocupantes, e ainda reivindicam o direito de retorno à Palestina.
Assista o clip do museu:










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