IML: juíza assassinada pelo ex-marido levou 16 facadas


A juíza Viviane Vieira e o assassino, o ex-marido Paulo José Arronenzi: 16 facadas na véspera do Natal (Reprodução)

O feminicídio contra a juíza Viviane Vieira do Amaral Arronenzi, de 45 anos, cometido pelo ex-marido, o engenheiro Paulo José Arronenzi, na véspera de Natal, teve 16 facadas. Laudo do Instituto Médico Legal (IML) confirma que o corpo da magistrada tinha perfurações no pescoço, rosto e barriga.

A juíza foi esfaqueada na tarde de quinta-feira (24) na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, na presença das três filhas, que têm entre 7 e 9 anos de idade, Nem os gritos de desespero das crianças fizeram Paulo parar de desferir os golpes. Ele foi preso por agentes da Guarda Municipal e levado para a delegacia logo após o crime em plena rua.

Paulo se recusou a prestar depoimento na delegacia e disse que só falará em juízo, segundo a polícia, que acredita que ele premeditou o crime. Os policiais encontraram três facas dentro do carro, no entanto, a que foi usada no crime não foi encontrada..

O crime ocorreu três meses depois que Viviane denunciou o ex-marido à polícia e passou a contar com uma escolta. Na denúncia, feita em 14 de setembro na 77ª DP, em Icaraí, Niterói, a juíza registrou uma ocorrência de lesão corporal e ameaça de morte contra Paulo, que foi enquadrado na Lei Maria da Penha. Na ocasião, ela havia comunicado Paulo sobre o desejo de terminar o casamento.

Há um mês, Viviane abriu mão do esquema de proteção acreditando que Paulo não poderia lhe fazer mal. Na quinta-feira, ela aceitou um pedido dele para encontrá-lo com as crianças na Avenida Rachel de Queiroz, local pouco movimentado na Barra da Tijuca. Ela foi atacada logo que saiu do carro. Após desferir as 16 facadas contra o pescoço, rosto e barriga de Viviane, o assassino se sentou ao lado do corpo até os guardas municipais aparecerem para prendê-lo.

Paulo tinha histórico de agressividade. Em 2007, uma ex-namorada registrou ocorrência policial porque estaria sendo ameaçada por ele, que não aceitava o fim do relacionamento.

De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o caso da juíza Viviane é o retrato de uma terrível realidade no Brasil, onde em 88,8% dos feminicídios o companheiro é o autor.

A presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Renata Gil, manifestou sua "indignação e repulso" diante do assassinato da magistrada.

"O feminicídio é o retrato de uma sociedade marcada ainda pela violência de gênero. Precisamos combater este mal”, afirmou a presidente da AMB, citada pelo site G1.

Feminicídio após a ceia de Natal

A cabelereira Anna Paula Porfírio dos Santos, de 45 anos, foi assassinada pelo marido, o sargento reformado da PM Ademir Tavares de Oliveira, após a ceia de Natal, na madrugada da sexta (25). O crime ocorreu na casa onde eles moravam, no Alto do Mandu, na Zona Norte do Recife -PE. De acordo com a polícia, ela foi atingida por disparos de arma de fogo no rosto e no peito, no quarto do casal, que tinha quatro filhos.

Com a chegada de uma guarnição da Polícia Militar, o criminoso foi preso em flagrante. Na delegacia, ele foi autuado pelo crime de feminicídio.

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