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Índios improvisam ações de saúde e evitam mortes por coronavírus

Em março, quando as primeiras notícias sobre a pandemia no Brasil chegaram à aldeia Kuikuro, no Mato Grosso, o presidente da Associação Indígena Kuikuro do Alto Xingu, Yanama Kuikuro, e o cacique Afukaká ficaram preocupados. Os índios, então, se organizaram para enfrentar a doença, antes de qualquer caso detectado na aldeia.


Índios Kuikuro, Parque do Xingu. Rafael Govari / ISA

Com dinheiro obtido através de uma campanha de doações pelo Facebook, eles improvisaram um hospital, contrataram uma médica, um enfermeiro e três auxiliares de enfermagem. Também transformaram uma oca em unidade de isolamento. As ações antecipadas e a capacidade de organização não impediram que a Covid-19 chegasse na aldeia, onde não há respiradores, tomógrafos ou ambulâncias, mas evitaram um impacto maior.


Na tribo, que tem cerca de 400 indígenas, estima-se que, pelo menos, metade tenha sido contaminada. Porém, não houve mortes. Foram 57 confirmações da doença e dezenas de casos com sintomas, mas a maioria não teve acesso à testagem.


​A médica de saúde da família Giulia Parise Balbão, contratada pelos índios, chegou pela primeira vez ao Xingu no final de julho. A médica trocou o emprego de um ano no Hospital Sírio e Libanês para trabalhar na aldeia, onde atende à comunidade a qualquer hora. O cacique Afukaká Kuikuro, segundo ela, pegou a Covid-19, assim como uma anciã de 90 anos, mas não tiveram complicações graves.


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