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Interesses afins: parceria Brasil-Índia ganha impulso e protagonismo

  • 18 de out. de 2025
  • 5 min de leitura

(Foto: Virendra Singh/SECOM/PR)
(Foto: Virendra Singh/SECOM/PR)

Por Flávia Vilela, Ludmila Zeger e Renan Lucio

(Da Sputnik Brasil)*

A comitiva incluiu os ministros da Saúde, Alexandre Padilha, e da Defesa, José Múcio, além de líderes empresariais de diversas áreas. O último acordo firmado foi o de cooperação em pesquisa de vacinas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da indústria farmacêutica indiana na produção de genéricos e insumos médicos, para fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS) e diversificar fornecedores, nesta manhã.


Além de autoridades como o vice-presidente da Índia, Chandrapuram Ponnusami Radhakrishnan e ministros, Alckmin reuniu-se com empresários no Fórum Empresarial Brasil-Índia, coordenado pelo Itamaraty, com o apoio da APEX-Brasil.


Durante o encontro, foi anunciado o lançamento do Conselho Empresarial Brasil-Índia, formado por empresários para apresentar recomendações conjuntas aos governos em temas como inovação, transição energética, infraestrutura e facilitação de investimentos. A primeira reunião do grupo está prevista para fevereiro de 2026, por ocasião da visita de Lula à Índia.


Outra novidade anunciada na missão foi a emissão de vistos eletrônicos para empresários indianos na embaixada em Nova Deli e no consulado em Mumbai.


Também foram anunciados entre os acordos de maior relevo o de expansão do Comércio Preferencial entre a Índia e o Mercosul, que hoje abarca 450 linhas tarifárias e outros para facilitar investimentos e evitar dupla tributação.


Para a pesquisadora associada do Public Banking Project Rafaela Mello Rodrigues de Sá, o posicionamento do Brasil e da Índia no tabuleiro geopolítico representa uma busca por autonomia.

"Ambos os países buscam manter relações estreitas não só com os países do Sul Global, participando ativamente e liderando esferas de diálogo e cooperação, mas também buscam não desgastar as tradicionais relações diplomáticas com países do Ocidente, especialmente a Índia com os Estados Unidos e o Brasil com países europeus", avaliou.


Doutoranda em ciência política da universidade de McMaster, no Canadá, ela mencionou setores estratégicos como o de minerais críticos a serem explorados conjuntamente.


"No caso específico das terras raras, em que tanto o Brasil quanto a Índia possuem reservas expressivas, seria importante promover uma reflexão e um estudo aprofundado sobre possibilidades de cooperação estratégica, que poderia buscar não apenas expandir a capacidade de processamento industrial, além da simples extração, mas também garantir que essas iniciativas sejam conduzidas de forma sustentável, levando em conta os potenciais impactos socioambientais envolvidos".


O anúncio de reduções tarifárias é um dos principais pleitos de empresários de ambos os países, e a ampliação da linha tarifária Índia-Mercosul promete atender parte dessa demanda, de acordo com o empresário indiano do ramo alimentícios, Vijay Bavaskar.


Com 12 anos de atuação no Brasil, sua empresa, Samosa & Company Interesting Food, importa e exporta ingredientes, equipamentos e conduz projetos de transferência de tecnologia em processamento de alimentos, com destaque para a Cajuína, e desenvolvimento de novas espécies de cultivo do caju no Brasil.


"A previsibilidade tributária e a redução de barreiras burocráticas criam um ambiente mais seguro para investimentos em tecnologia de alimentos, equipamentos e inovação em bebidas e condimentos. No nosso caso, tais medidas abrem caminho para cooperações tecnológicas e joint ventures com empresas indianas, estimulando a transferência de conhecimento e o desenvolvimento de novos produtos", acrescentou. "Para a Samosa & Company, isso se traduz em maior competitividade na importação de matérias-primas indianas e, ao mesmo tempo, possibilidade de exportar produtos brasileiros de alto valor agregado, como a Cajuína, para o mercado indiano", explicou.


Bavaskar chamou a missão brasileira de "marco importante" por reforçar a relevância da cooperação entre os dois países e abrir oportunidades de parceria de longo prazo.


Pese os avanços, o empresário salientou que ainda há desafios importantes a serem vencidos como o da adequação regulatória entre as normas da Agência Nacional de vigilância Sanitária (Anvisa)/Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e da FSSAI (Índia), além das complexidades logísticas e alfandegárias.


"Do ponto de vista cultural, há grande afinidade entre os dois povos, mas é essencial compreender as diferenças regionais da Índia para adaptar produtos e modelos de negócio de forma eficaz", destacou ele. "O mercado indiano é imenso e cheio de oportunidades, mas exige visão de longo prazo, respeito cultural e parcerias sólidas. O mesmo vale para o Brasil, um país que valoriza inovação e autenticidade"


O empresário opinou que a integração comercial tende a ficar ainda mais intensa e estratégica, com maior fluxo de investimentos e novas cadeias de valor compartilhadas, especialmente nos setores de alimentos, tecnologia, farmacêutica e energias renováveis.


Nesse processo, segundo ele, é essencial criar centros de inovação e incubadoras bilaterais, voltados para pequenas e médias empresas, que promovam pesquisa aplicada, intercâmbio tecnológico e inovação gastronômica.


"Quando Brasil e Índia unem tradição, sabor e tecnologia, o resultado é um modelo de negócios sustentável e inspirador, capaz de gerar impacto econômico e cultural positivo em ambos os países", concluiu ele.


Pesquisador e analista intercultural, Charles Zimmermann, chamou a atenção para a importância de uma visão mais profunda, respeitosa e realista sobre a complexidade e a diversidade do país estrangeiro por parte do empresariado para avançar nas relações comerciais.


"O passo essencial para fortalecer essa parceria na ótica empresarial, sem dúvida, uma das coisas é que nós brasileiros ainda, a gente vê a Índia como algo meio que exótico [...]. É preciso haver essa quebra do estereótipo, dessa coisa exótica da Índia. Eles também têm esse distanciamento perante a nós", comentou.


A missão brasileira contou ainda com a inauguração do novo escritório regional da Embraer na capital indiana, Nova Deli, e a assinatura de contrato de fornecimento de mais 6 milhões de barris de petróleo para a Índia pela Petrobras, que já vende US$ 2.5 bilhões (R$ 13,5 bilhões) em petróleo bruto anualmente para o país asiático.


Zimmermann comentou que a iniciativa tem potencial para alavancar o comércio brasileiro regionalmente, com montagem e uso de mão de obra indiana.


"O modelo de mercado da Ásia, para o modelo de equipamento que a Embraer produz, que é um avião de pequeno porte para longas distâncias, encaixa perfeitamente em uma geografia como o da Índia. E principalmente a geografia de países ao redor, onde a Índia tem uma presença muito grande em questão de mercado."


Rafaela Mello Rodrigues de Sá, do Public Banking Project, ressaltou o papel da Embraer, sobretudo no âmbito do BRICS, com atuação ativa no Conselho Empresarial, que reúne presidentes e diretores de grandes empresas do grupo.


"Por alguns anos a empresa Embraer vem liderando e presidindo a seção brasileira deste conselho. Atualmente, quem assume a presidência brasileira é Francisco Gomes Neto, CEO da Embraer. Nesse sentido, é importante compreender a aproximação da Embraer na Índia também no escopo do diálogo e cooperação do setor empresarial no âmbito do BRICS."


A parceria Índia-Brasil também ganha força na articulação Sul-Sul, pontuou ela, em que os países lideram discussões para o fortalecimento da união dos países fora do eixo ocidental, desde o IBAS (fórum de diálogo e cooperação trilateral entre Índia, Brasil e África do Sul), passando pelo G20 e pela expansão do BRICS.


"Estas esferas multilaterais representam espaços importantes para avançar debates estratégicos para as economias emergentes e países em desenvolvimento, como transferência de tecnologia, políticas industriais, posicionamento frente à minerais críticos, moedas locais, financiamento climático, entre outros", concluiu a pesquisadora.


*Sputnik Brasil, parceira do TODA PALAVRA

 
 
 

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