Internet e educação conectam sonhos nas periferias brasileiras

Aos 16 anos, Vitória é comunicativa e acredita que somente dedicação e estudo poderão mudar a realidade de sua vida num conjunto de moradia popular ao lado de Paraisópolis, a maior favela da maior cidade brasileira. Aos 17 anos e muito tímido, Wesley está vendo sua vida se transformar graças ao ensino aliado à tecnologia. Ambos moram em bairros periféricos da zona sul de São Paulo e participam do programa Trilhas Digitais, iniciativa do Unicef, em parceria com o Instituto Tellus e a British Telecom, que incentiva o acesso à internet para ajudar no aprendizado de jovens e adolescentes.

Vitória Lohana desenvolvou projeto de horta comunitária / Foto: Felipe Cardoso, Escola de Notícia

Vitória Lohanna Mendes Tavares já fez cursos e oficinas de administração, jornalismo, fotografia, percussão, caratê e artesanato.


“Quando você está na quebrada (gíria para periferia), você tem que se esforçar duas vezes mais. Se eu não correr atrás, ninguém vai correr por mim”, avalia.


Na pandemia, a estudante teve o aprendizado prejudicado pelo regime de ensino a distância das escolas estaduais. Participando do Trilhas Digitais, ela voltou a estudar e a participar tanto das aulas regulares quanto de outras atividades, usando o celular cedido pela iniciativa.


“Como o Trilhas tem como propósito nos ajudar a resolver problemas da comunidade por meio da tecnologia, ele nos ajudou a pensar em soluções para o território”, explica. O projeto de Vitória, chamado Horta Real, pretende transformar os espaços públicos abandonados do bairro em hortas comunitárias.


A ideia inclui até um curso para os vizinhos.


“Por causa da pandemia, muita gente perdeu o emprego. A horta surgiu como uma oportunidade para gerar renda para a comunidade e, também, incentivar o acesso à alimentação saudável”, explica.

Wesley Silva aprendeu programação em iniciativa do Unicef / Foto: Felipe Cardoso, Escola de Notícias

Novos horizontes


Na Chácara Flórida falta internet, saneamento básico e asfalto. Ali Wesley Monteiro da Silva conheceu a iniciativa que incentiva o acesso à tecnologia para promover o aprendizado e a formação de jovens e adolescentes. Ele se interessou por programação.


A superação da timidez, a descoberta da tecnologia como um interesse profissional e educacional e as lições aprendidas serviram de referência para Wesley pensar no seu futuro e no lugar onde vive. Ele desenvolveu o projeto Segurança na Periferia, que orienta moradores de regiões periféricas a encarar abordagens policiais através de um aplicativo e um site que explicam direitos e deveres, tanto de policiais como de cidadãos nessas ocasiões. A ideia é diminuir os índices de violência policial e tornar as relações entre moradores e policiais mais amistosas e pacíficas.


“Na escola, eu sempre fui aquele menino que ficava lá atrás na hora de apresentar os projetos. Agora, eu me sinto mais preparado e confiante”, relata o rapaz. “Eu tenho o sonho de abrir uma ONG, de ensinar programação para jovens de favela também. Quero que eles tenham oportunidades. Na periferia existe muita gente inteligente, que é esforçada, gente que faz tudo, mas por falta de material, de oportunidade, não consegue mudar de vida. Eu quero mostrar que dá para mudar”, afirma, com esperança.


*Com informações do Unicef / ONU

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