Irã nega negociações com os EUA e desmente Trump
- 27 de jul.
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O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou na segunda-feira que seu governo está mantendo "conversas muito profundas" com o Irã e alertou que retomaria "ações militares muito enérgicas" caso esses contatos fracassem.
Em entrevista, o presidente acrescentou que não daria "muito tempo" à via diplomática. Ele também afirmou ter suspendido uma operação militar em larga escala a pedido de nações mediadoras e que, em sua opinião, "os iranianos querem chegar a um acordo".
O governo da República Islâmica negou essa versão no mesmo dia. Teerã insistiu que não está engajado em negociações diretas com os Estados Unidos e — após três noites de relativa calma — reconheceu apenas um canal aberto: conversas com Omã para estabelecer "mecanismos relativos ao tráfego marítimo" no Estreito de Ormuz.
O último encontro direto entre as duas delegações ocorreu há mais de três meses, nos dias 11 e 12 de abril, em Islamabad, e terminou com a retirada dos negociadores americanos.
"Dissemos a eles para irem embora"
O vice-ministro das Relações Exteriores para Assuntos Jurídicos e Internacionais, Kazem Gharibabadi, relatou que, na capital paquistanesa, a delegação dos EUA apresentou uma proposta contendo exigências extremas e um ultimato.
Washington alertou que, se o plano fosse rejeitado, as negociações entrariam em colapso e sua equipe se retiraria. "Nossa resposta foi que eles fossem embora", disse o diplomata. Ambas as delegações deixaram a sala, e o lado iraniano não pediu para retomar o contato — um gesto que Gharibabadi descreve como a essência da "diplomacia digna".
O conteúdo dessas exigências veio à tona em 17 de maio, quando a agência iraniana Fars — ligada à Guarda Revolucionária — divulgou o pacote de cinco pontos. No topo da lista estavam a entrega de 440 quilos de urânio enriquecido a 60% e a redução do programa nuclear a uma única instalação ativa, sem compensação por danos de guerra ou o descongelamento de 25% dos ativos iranianos mantidos no exterior.
Estreito de Ormuz: a linha inegociável
O Irã fechou o Estreito de Ormuz após ataques dos EUA, segundo o próprio relato de Gharibabadi. Durante reuniões em Omã, a outra parte insistiu em manter aberta a rota de navegação ao sul como condição para o sucesso das negociações.
A delegação iraniana rejeitou essa fórmula, respondendo que nenhum resultado alteraria a política de princípios da República Islâmica. O bloqueio foi mantido, e as hostilidades entraram em uma nova fase.
Após 150 dias de guerra — segundo a CBS —, Teerã afirma manter o controle da via navegável. A televisão estatal iraniana relatou disparos de advertência contra seis navios que tentavam utilizar uma rota traçada pelos EUA, forçando-os a retornar.
Pentágono admite escassez de armas dos EUA na guerra contra o Irã
O embaixador dos EUA nas Nações Unidas, Mike Waltz, declarou em um programa da CBS que a pausa nas hostilidades visa "dar à diplomacia um pouco de fôlego", embora tenha reconhecido que mais recursos militares dos EUA continuam chegando à região.
A própria CBS descreve uma guerra em suspenso, enquanto Trump abre espaço para negociações destinadas a resolver o impasse em Hormuz. A imprensa iraniana rejeita essa narrativa, classificando-a como delirante — especialmente a insistência do presidente de que Teerã busca um acordo e de que ele interrompeu os bombardeios a pedido de mediadores.
O Líder da Revolução Islâmica deu o tom dessa desconfiança em sua resposta a uma carta de lealdade enviada pelo Secretário-Geral e pelos combatentes do Hezbollah libanês. Dirigindo-se a nações que descreveu como exasperadas pela "opressão e tirania" do governo dos EUA e dos "sionistas criminosos" — que "destroem plantações e famílias" —, ele afirmou que não há alternativa senão a "jihad e a resistência".
Da Telesur









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