Irã envia proposta aos EUA, via Paquistão, para reabrir o Estreito de Ormuz
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O governo iraniano, por meio de intermediários paquistaneses, apresentou aos Estados Unidos uma nova proposta com o objetivo de estender o cessar-fogo ou encerrar a guerra e suspender o bloqueio americano ao Estreito de Ormuz, adiando as negociações sobre o programa nuclear para um momento posterior. A informação foi divulgada pela Axios, citando um funcionário americano anônimo e outras duas fontes familiarizadas com o assunto.
Segundo as fontes, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, delineou o plano durante visitas consecutivas a Islamabad. Ele informou aos mediadores do Paquistão, Egito, Turquia e Catar que a liderança iraniana não possui consenso interno sobre como responder às exigências nucleares de Washington, que incluem o desmantelamento do programa nuclear e a entrega de todo o urânio enriquecido.
A proposta se concentra na reabertura do Estreito de Ormuz, uma via navegável estratégica por onde passa aproximadamente 20% do comércio marítimo mundial de petróleo. De acordo com o plano, as negociações nucleares não começariam até que o bloqueio americano fosse suspenso. Essa iniciativa busca desbloquear as negociações após o impasse nos diálogos anteriores realizados em Islamabad. Enquanto isso, Abbas Araghchi declarou nesta segunda-feira, durante sua visita a São Petersburgo, que o Irã deve salvaguardar seus interesses nacionais nas próximas negociações com os Estados Unidos. Falando à televisão estatal iraniana, o ministro das Relações Exteriores do Irã enfatizou “a necessidade de garantir os direitos do povo iraniano e proteger os interesses do país em qualquer processo de negociação”.
Araghchi indicou que suas conversas na Rússia visam intensificar as consultas com Moscou sobre questões regionais e internacionais, bem como fortalecer as relações bilaterais. “Examinamos os últimos desdobramentos relacionados à guerra e avaliamos a situação atual”, observou, destacando também a importância da coordenação entre os dois países.
Sobre sua visita anterior a Islamabad, o ministro das Relações Exteriores descreveu as consultas com as autoridades paquistanesas como frutíferas, com foco nos “eventos recentes e nas condições necessárias para retomar o diálogo entre Teerã e Washington”.
Segundo relatos da mídia local, Teerã propôs um plano em três etapas: o fim das hostilidades e o estabelecimento de garantias vinculativas contra novos ataques ao Irã e ao Líbano; o estabelecimento de um novo regime jurídico para a gestão do Estreito de Ormuz em coordenação com Omã; e, na terceira etapa, a resolução da questão nuclear.
Essa oferta surge após as negociações entre os Estados Unidos e o Irã em Islamabad, iniciadas após um cessar-fogo provisório, não terem apresentado avanços. No sábado, o presidente dos EUA, Donald Trump, cancelou a viagem a Islamabad de seus enviados, Steve Witkoff e Jared Kushner, declarando: "Eles não vão mais fazer voos de 18 horas para ficarem sentados conversando sobre nada".
O Irã insiste em garantias de não agressão por parte dos Estados Unidos, na suspensão de todas as sanções, no controle do Estreito de Ormuz e no reconhecimento de seu direito ao enriquecimento de urânio, rejeitando as acusações de que busca adquirir uma arma nuclear.
O programa nuclear iraniano está há muito tempo no centro da disputa entre Washington e Teerã. O governo Obama alcançou o acordo nuclear em 2015, após mais de dois anos de negociações, do qual os Estados Unidos se retiraram em 2018, durante a presidência de Donald Trump.
Da Telesur









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