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Itamaraty rebaixa relação com Argentina após insultos de Milei a Lula

  • 5 de ago.
  • 3 min de leitura

(Foto: Ricardo Stuckert/PR e Reprodução/Redes sociais)
(Foto: Ricardo Stuckert/PR e Reprodução/Redes sociais)

O governo do Brasil decidiu rebaixar o nível das relações bilaterais com a Argentina após as sucessivas agressões do presidente Javier Milei contra o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e contra o Supremo Tribunal Federal (STF).


O Ministério das Relações Exteriores decidiu que o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, não deve regressar à Argentina enquanto as agressões do Milei continuarem. Os insultos foram considerados um desrespeito inaceitável em relações bilaterais.


O Brasil agora será representado no país vizinho por um Encarregado de Negócios, cargo mais baixo que expressa esse rebaixamento diplomático.


Em 26 de julho, o embaixador brasileiro Bitelli foi convocado a voltar a Brasília após Milei xingar o presidente Lula em convenção partidária do Partido Liberal (PL), que indicou o senador Flávio Bolsonaro a disputar a Presidência da República.


Na ocasião, Milei chamou Lula de “presidiário” e atacou o ministro do STF Alexandre de Moraes, relator do julgamento que condenou o pai de Flávio, o ex-presidente Jair Bolsonaro, a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.


“Não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao Chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive ao Poder Judiciário, e ao povo brasileiro”, rebateu o Itamaraty, em nota.


Nos dias seguintes à convenção do PL, as agressões de Milei contra Lula continuaram com insultos como “ladrão” e “lixo socialista”. Milei também continuou insultando o STF em manifestações públicas.


Essas reiteradas agressões motivam o Brasil a decidir não enviar de volta à Argentina o embaixador Julio Bitelli. A decisão deve ser mantida enquanto os insultos continuarem.


Argentina

Por meio de nota divulgada nas redes sociais, o governo da Argentina lamentou a decisão “unilateral” do governo brasileiro, argumentando que ela foi adotada por questões “puramente ideológicas”.


“Nunca respondemos a uma diferença política com uma medida institucional. Esse critério é o que a Argentina sustenta hoje”, disse o Ministério das Relações Exteriores da Argentina.


O governo brasileiro tem defendido que mantém relações diplomáticas com governos de todos os perfis ideológicos, tendo sido as ofensas o motivo do rebaixamento das relações diplomáticas.


Repercussão

A decisão brasileira teve repercussão nos jornais do país vizinho. O Clarín, um dos mais tradicionais da Argentina, classificou a decisão como “dura sanção diplomática”.


O jornal Página 12 destacou: "Tudo tem um limite. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cansou-se dos ataques e insultos de Javier Milei, que, em suas três últimas aparições na mídia, dedicou-se a atacar o mandatário brasileiro". O diário também ressalta que se trata do "pior momento das relações diplomáticas entre a Argentina e o Brasil desde a redemocratização".


O jornal Infobae disse que a relação entre os dois países está em uma “crise sem precedentes”, destacando que a medida preocupa o empresariado da Argentina.


O Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina, sendo destino de 12,6% das exportações de bens do país, à frente da China com 9,9% e Estados Unidos, com 9,8%, no acumulado de janeiro a junho deste ano, segundo o Instituto Nacional de Estatísticas e Censos da Argentina (Indec).


Em 2025, a Argentina figurou como o terceiro principal destino das exportações brasileiras, que representaram US$ 18,1 bilhões em bens vendidos, o que soma 5,2% do total exportado pelo Brasil. Os dados são da Comex Stat, o banco de dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC).


Com a Agência Brasil

 
 
 

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