Jairinho se esquiva de Bangu 1, e julgamento do caso Henry começa
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Uma reviravolta marcou a retomada do julgamento do assassinato do menino Henry Borel Medeiros pelo Tribunal do Júri no Rio de Janeiro, nesta segunda-feira (25). O réu e ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, padrasto do menino de 4 anos, tentou mais uma manobra para adiar o julgamento. Ele chegou a desconstituir a sua defesa, mas depois voltou atrás na estratégia.
Jairinho e Monique Medeiros, mãe de Henry, são acusados pela morte do menino, em 2021, após uma série de agressões confirmadas por laudos oficiais da perícia técnica da Polícia Civil do Rio de Janeiro.
Jairinho chegou a afirmar para a juíza Elizabeth Machado Louro que não tinha condições de ser julgado porque seu principal advogado, Fabiano Lopes, infartou no sábado (23) - isso, apesar de contar com oito advogados constituídos. Em seguida, o Ministério Público pediu à magistrada que, não havendo sessão, o réu fosse transferido de Bangu 8 – onde possui mais facilidades – para Bangu 1, presídio de segurança máxima - ambos localizados no Complexo Penitenciário de Gericinó, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.
Em seguida, durante a leitura da decisão da magistrada, Jairinho pediu interrupção para consultar advogados. Após alguns minutos, o réu informou que estava constituindo novamente sua defesa, que agora inclui o filho dele, Luís Fernando Abidu Figueiredo Santos, recém-formado.
Dessa forma, o julgamento foi reiniciado com a escolha dos jurados. Foram habilitados cinco homens e duas mulheres para participar do corpo de júri.
A juíza Elizabeth Machado Louro leu a denúncia do Ministério Público aos presentes e interrompeu o julgamento para almoço.
De um total de 27 testemunhas arroladas, estão previstos quatro depoimentos de testemunhas de acusação para esta segunda-feira: dois delegados, um perito e um médico legista.
De acordo com o promotor Fábio Vieira dos Santos e a própria defesa de Jairinho, o julgamento deve durar de cinco a sete dias.
O caso
Segundo a denúncia, na madrugada de 8 de março de 2021, Dr. Jairinho espancou até a morte o menino Henry, enquanto a mãe, Monique Medeiros, foi omissa, o que levou à morte da criança.
De acordo com o Ministério Público, em outras três ocasiões em fevereiro de 2021, Jairo tinha submetido o menino a sofrimento físico e mental com emprego de violência.
Jairo é acusado de homicídio qualificado por meio cruel que impossibilitou a defesa da vítima e pelas três torturas praticadas contra criança.
Monique responde por homicídio por omissão qualificado por motivo torpe e recurso que impossibilitou a defesa da vítima.
Abandono em março
O júri desta semana é o retorno de um adiamento. Em 23 de março, a defesa de Jairinho pediu adiamento por falta de acesso às provas e, após o indeferimento do pedido pela juíza Elizabeth Machado Louro, os advogados de defesa abandonaram o plenário.
Leniel Borel
Na chegada ao Tribunal de Justiça, o pai da criança, Leniel Borel de Almeida Junior, que também atua como assistente da acusação, antecipou que a estratégia da família da vítima é mostrar a teia de influência utilizada por Dr. Jairinho para esconder evidências do assassinato do menino.
“Vamos mostrar quem são Jair e Monique, a rede que o Jair procurou para que o hospital não mandasse [o corpo] para o [Instituto Médico Legal] IML. Estou falando de um vereador com cinco mandatos, com um pai quatro vezes deputado estadual, ele ligou para o governador do estado do Rio naquele dia, para o presidente da Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro, ligou para delegados que foram presos”, disse.
Leniel, atualmente vereador no Rio de Janeiro, também criticou o fato de o então casal ter conseguido apagar dados de computador e telefone celular.
Com a Agência Brasil










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