Jornalista francesa relata bombardeios da Ucrânia a civis


Depoimento de Anne-Laure Bonnel à TV CNews chocou os âncoras e telespectadores / Reprodução Twitter

Uma jornalista francesa que se encontra em Donbass, onde separatistas lutam pela independência de duas repúblicas populares, chocou telespectadores e apresentadores do canal de televisão francês CNews ao revelar que os ataques aos civis naquela região da Ucrânia estão sendo perpetrados pelo próprio exército ucraniano. Segundo Anne-Laure Bonnel, enquanto Kiev e outras cidades do centro do país encontram-se sob ataque russo, no Leste quem bombardeia a população civil são os próprios ucranianos.

"Na região onde estou os bombardeios estão sendo feitos pelos ucranianos. Eu lamento chocar os telespectadores e todo mundo, mas essa é a verdade. Eu não estou tomando partido, não defendo o Putin, mas essa é simplesmente a verdade", afirmou a repórter, que já trabalhou como free lancer para veículos franceses como correspondente de guerra em outras regiões conflagradas, como a Armênia.

Diante da perplexidade dos apresentadores da emissora francesa, Anne-Laure Bonnel enfatizou o seu depoimento:

"Essa é a verdade. O exército ucraniano está bombardeando sua própria população, crianças e idosos".



Anne-Laure Bonnel já acompanha há vários anos a guerra na região de Donbass, que precede a atual guerra iniciada com a invação russa. Em 2016 ela produziu o documentário "Donbass", exibido pelo canal francês Spicee.com e selecionado pela Anistia Internacional e pelo Festival Itinérance em 2017.

Separatistas de tendência comunista da região de Donbass lutam contra Zelensky desde 2014

A guerra travada pelos ucranianos contra os separatistas do Leste do país também foi focalizada em uma entrevista exclusiva concedida a Por Cíntia Xavier e Daniel Albuquerque, do TODA PALAVRA, pelo jornalista ucraniano Dmitri Kovalevich. Ele revelou como militantes e paramilitares nazifascistas apoiam o regime de Zelensky nos ataques realizados desde 2014 contra as repúblicas rebeldes de Donetsk e Lugansk, na região de Donbass, cuja independência foi uma das condições impostas pela Rússia à Ucrânia para pôr fim à guerra.

O combate à diversidade étnica de Donbass - inclusive como grande quantidade de russos descendentes - e a perseguição aos comunistas que lutam pelo reconhecimento das duas repúblicas populares são, segundo ele, a motivação de Zelensky e dos nazifascistas e seria também o estopim da guerra.

Dmitri é um jornalista ucraniano que militava na organização comunista Borotba, banida após o golpe pró-ocidental sofrido pela Ucrânia em 2014, quando a organização foi declarada ilegal em função dos protestos contra a institucionalização do neonazismo na sociedade ucraniana.

Sua organização apoiou ativamente os rebeldes do Donbass no conflito civil que, desde o golpe e a operação militar contra a população das regiões do Leste da Ucrânia por parte das Forças Armadas Ucranianas e sua estrutura paramilitar neonazista, causa uma dolorosa e sangrenta ferida na sociedade ucraniana.

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