Jornalistas e ativistas foram alvo de espionagem em 45 países


(Reprodução)

Uma investigação realizada por um consórcio de 17 meios de comunicação ao redor do mundo e publicada neste domingo (18) revela que milhares de jornalistas, empresários, defensores de direitos humanos, líderes religiosos e até chefes de Estado de dezenas de países tornaram-se potenciais alvos de espionagem por meio de um programa desenvolvido por uma empresa de Israel que infecta celulares. A investigação que inclui veículos como o britânico The Guardian, o americano The Washington Post, o alemão Die Zeit e o francês Le Monde teve acesso a uma lista com mais de 50 mil números de telefone em mais de 45 países selecionados desde 2016 como alvos da espionagem.

Após infectar iPhones e celulares Android, o equipamento — que inclui um software e um hardware — permite que seus operadores secretamente tenham acesso a mensagens, fotos e e-mails, escutem chamadas e ativem microfones e câmeras. A lista de jornalistas selecionados para espionagem inclui mais de 180 nomes entre funcionários de empresas de comunicação como CNN, New York Times, al-Jazeera, France 24, El País, Le Monde, Economist, Guardian e as agências AFP, Associated Press, Reuters e Bloomberg.

A investigação foi intitulada Projeto Pegasus, em referência ao software criado pelo grupo israelense chamado Pegasus, uma ferramenta de spyware vendida pela NSO Group.

O malware funciona induzindo os usuários a clicarem em um link, em seguida, ele se instala e dá ao hacker acesso completo a todo o conteúdo do telefone, bem como a capacidade de usar suas câmeras e microfone sem ser detectado.

Uma reportagem do portal UOL, publicada em maio, mostrou que o filho 02 do presidente Jair Bolsonaro, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), buscou intervir em um edital do governo federal, para promover a compra do serviço. A ação acabou gerando insatisfação em militares lotados no governo, que teriam sido deixados de fora das tratativas. Segundo o UOL, dias após a reportagem, a empresa israelense deixou a licitação.

O NSO Group se recusou a revelar quais países compraram o software e negou a maioria das reivindicações feitas nos relatórios do Projeto Pegasus. A empresa israelense "nega firmemente as falsas alegações feitas neste relatório, muitas delas teorias não corroboradas que levantam sérias dúvidas sobre a confiabilidade de suas fontes, bem como a base de sua história", disse a organização citada pela mídia.

O WhatsApp está processando o NSO em um tribunal dos Estados Unidos, acusando-o de usar o serviço de mensagens de propriedade do Facebook para realizar ciberespionagem contra jornalistas, ativistas de direitos humanos e outros.

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