Justiça manda ampliar buscas a desaparecidos na Amazônia


(Foto: Bruno Jorge/Funai)

A Justiça Federal determinou a ampliação da equipe e do aparato de buscas pelo jornalista britânico Dom Phillips e pelo indigenista Bruno Araújo Pereira, que estão desaparecidos na Amazônia desde domingo (5). Um suspeito de envolvimento no sumiço dos dois foi preso, mas alegou inocência aos policiais militares do Amazonas.

Na decisão, à qual a Sputnik Brasil teve acesso, a magistrada federal Jaiza Maria Pinto Fraxe determina o "uso de helicópteros, embarcações e equipes de buscas, seja da Polícia Federal, seja das Forças de Segurança ou das Forças Armadas (Comando Militar da Amazônia), tendentes a localizar as pessoas Bruno Pereira (cidadão brasileiro) e Dom Phillips (cidadão inglês)".

Em entrevista concedida à rádio CBN na manhã desta quarta-feira (8), Leonardo Lenin Santos, indigenista do Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato (OPI), criticou a atuação das autoridades nos trabalhos de busca. Ainda de acordo com a rádio, ele definiu a força-tarefa das Forças Armadas como uma "mentira".

"Somente ontem o contingente de 11 pessoas do Exército chegou na região. Uma aeronave que está sendo solicitada desde segunda-feira (6), que inclusive representantes do governo falaram que estão sendo usadas nas buscas, nunca chegou. O efetivo da Marinha até ontem era de cinco a sete pessoas. O contingente da Polícia Federal era de duas pessoas", declarou Lenin.

Em meio a intensas críticas sobre a omissão no resgate e com a repercussão internacional do caso, a Polícia Federal marcou uma entrevista coletiva para as 17h desta quarta-feira a fim de "prestar excepcional esclarecimento acerca das investigações relacionadas ao desaparecimento do indigenista Bruno Araújo Pereira, da Fundação Nacional do Índio (Funai), e do jornalista inglês Dom Phillips, colaborador do jornal The Guardian".

No começo da manhã desta quarta-feira (8), o jornal O Globo divulgou que a Polícia Militar do Amazonas, que participa das buscas por Pereira e Phillips, havia prendido um suspeito de envolvimento nos desaparecimentos de ambos.

Amarildo da Costa de Oliveira, que usa a alcunha de Pelado, negou envolvimento no episódio.

Até a noite de quarta, a Polícia Civil amazonense, que instaurou um inquérito para apurar o desaparecimento dos dois, teria ouvido sete pessoas, segundo informou o portal G1.

Dom Phillips e Bruno Pereira desapareceram no último domingo (5), após uma incursão pelo Vale do Javari, na Amazônia, região que concentra o maior número de aldeias e tribos de indígenas isolados, ou seja, que pouco ou jamais tiveram contato com a sociedade em geral.

Pereira, que liderou a sede da Funai na região durante nove anos, era exímio conhecedor dos rios e localidades do vale.

As circunstâncias do desaparecimento ainda não foram totalmente esclarecidas pelas autoridades.


Fonte: Agência Sputnik

300x250px.gif
728x90px.gif