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Lago Escondido: jogo de suborno e condenação de Kirchner


Um dos maiores escândalos institucionais da história da Argentina é sobre possíveis práticas de crimes em uma viagem à região patagônica de Lago Escondido e a posterior troca de chats e áudios entre um grupo de juízes, promotores, espiões ligados ao ex-presidente Ricardo Macri, um ministro da Segurança do governo de Buenos Aires também ligado a Macri e dirigentes do Grupo Clarín, o maior conglomerado de mídia do país. As conversas, que vazaram, tinham como objetivo manipular e encobrir as evidências da luxuosa viagem que fizeram juntos, com todas as despesas pagas pelo Clarín. Um dos viajantes é o juiz Julián Ercolini, que foi investigador no caso contra a vice-presidente Cristina Kirchner, e reuniu as supostas provas contra ela.


Na segunda-feira (5), véspera de seu julgamento, Cristina acusou o judiciário e a mídia monopolista de seu país, insatisfeita com a instalação, nesta quarta-feira (7), da Lei de Meios, de formarem um "Partido Judicial" responsável por promoverem uma "lawfare" (perseguição judicial) semelhante a que levou à prisão o então ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2018. A Lei de Meios estabelece que os empresários da mídia com diversos canais de televisão, canais abertos, cabo e jornais, deverão desinvestir para não ter uma posição dominante ou monopolista. Nesta terça-feira (6), a vice-presidente foi condenada a seis anos de prisão.


Através de um pronunciamento na televisão nacional, o presidente da Argentina, Alberto Fernández, garantiu que vai promover uma investigação sobre os crimes envolvidos na viagem ao Lago Escondido, bem como a cassação dos envolvidos.


Fernández alertou sobre a influência negativa exercida pelos agentes do poder nas estruturas do Estado, e disse que seu país precisa de funcionários honestos, livres de corrupção e de juízes honestos.


“Tudo parece indicar que, mais uma vez, ficou exposta a deterioração da qualidade institucional em que incorreram alguns juízes, promotores, ex-funcionários e empresários. Todos eles envolvidos em um perverso jogo de suborno que afeta gravemente o bom funcionamento do Estado”, enfatizou Fernández.


"Foi exposta a maneira como certas corporações operam sobre funcionários, juízes e promotores", disse o presidente na mensagem.


"Espero que possamos todos se conscientizem da gravidade dos fatos. Faz mal à democracia ver a promiscuidade antirrepublicana com que alguns empresários, alguns juízes, alguns promotores e alguns funcionários se movem", afirmou.


"Até agora eles se sentiram impunes. É hora de começarem a ser responsabilizados por sua conduta", enfatizou o presidente, que apontou a viagem em si e as atividades ilegais que isso implicaria.


Com informações do Página 12



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