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Laudo médico da PF conclui que Bolsonaro pode continuar na Papudinha


(Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)
(Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta sexta-feira (6) a divulgação do laudo feito por médicos peritos da Polícia Federal sobre o estado de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro. Pelo documento, ele não precisa ser transferido para um hospital e pode continuar cumprindo pena no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, no Complexo da Papuda, conhecido como Papudinha, onde está preso desde o dia 15 de janeiro.


Após o exame físico e a análise de exames laboratoriais e de imagem fornecidos pela defesa, a conclusão dos peritos foi que Bolsonaro é portador de sete problemas crônicos de saúde, mas que “tais comorbidades não ensejam, no momento, necessidade de transferência para cuidados em nível hospitalar”, diz o laudo.


Contudo, “é necessário otimização dos tratamentos e das medidas preventivas por profissionais especializados em decorrência do risco de complicações, principalmente eventos cardiovasculares”, acrescentaram os três médicos da PF que assinam o documento.


Os três peritos examinaram Bolsonaro em 20 de janeiro, na Papudinha, onde cumpre a pena de 27 anos e três meses de prisão por ter liderado uma tentativa de golpe de Estado.


Os médicos não constataram doenças como depressão ou pneumonia aspirativa, mas atestaram a existência das seguintes doenças no ex-presidente:


  • Hipertensão arterial sistêmica

  • Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) grave

  • Obesidade clínica

  • Aterosclerose sistêmica;

  • Doença do refluxo gastroesofágico

  • Queratose actínica

  • Aderências (bridas) intra-abdominais


Ainda segundo o laudo, na entrevista com os médicos Bolsonaro “não apresentou queixas compatíveis com sentimentos de menos-valia, desesperança ou anedonia [falta de prazer]”, ainda que pudesse demonstrar abatimento.


Os médicos da PF inspecionaram também as instalações da Papudinha, incluindo a cela de Bolsonaro e as áreas comuns, como banheiro e academia. Ao final, os peritos fizeram quatro recomendações para melhorar as condições em que o ex-presidente é mantido:


1.Investigação complementar, definição diagnóstica e tratamento adequado do quadro neurológico em curso. Como medidas paliativas e provisórias, até avaliação especializada, recomenda-se:


  • instalação de grades de apoio em corredores e boxes de banho do alojamento;

  • instalação de campainhas de pânico/emergência adicionais e/ou outros dispositivos de monitoramento em tempo real no alojamento;

  • acompanhamento contínuo nas áreas comuns;


2.Avaliação nutricional e prescrição dietética por profissional(is) especializado(s), direcionadas às comorbidades descritas


3.Prática regular de atividade física aeróbica e resistida, conforme tolerância clínica;


4.Tratamento fisioterápico contínuo, com ênfase em força muscular e equilíbrio postural.


Decisão

O laudo-médico foi produzido pela PF a pedido de Moraes, que determinou a medida em 15 de janeiro, ao transferir Bolsonaro de uma sala na Superintendência da PF para a Papudinha. O ministro deu agora cinco dias para que a defesa e a Procuradoria-Geral da República se manifestem sobre o laudo.


Após o prazo, Moraes deverá reavaliar, novamente, os reiterados pedidos dos advogados para que Bolsonaro tenha concedida uma prisão domiciliar por razões humanitárias, devido ao estado de saúde e idade. Não há prazo definido para uma decisão do ministro.


Com a Agência Brasil

 
 
 
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