Lava Jato do Paraná é oficialmente enterrada


Ex-juiz Sérgio Moro e procurador Deltan Dallagnol: ações suspeitas na Lava Jato de Curitiba (Reprodução)

Quatro meses depois de o presidente da república, Jair Bolsonaro, afirmar que acabou com a Lava Jato, o Ministério Público Federal (MPF) oficializou nesta quarta-feira (3) o "enterro" da célebre força-tarefa da Lava Jato do Paraná.

Segundo comunicado publicado pelo MPF, a operação no Paraná passa a integrar o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), dando continuidade aos trabalhos da Lava Jato.

Segundo o MPF, a operação conduziu a "maior investigação de corrupção e lavagem de dinheiro do Brasil", que revelou "a prática de delitos relacionados à organização criminosa, evasão de divisas, falsidade ideológica, corrupção de funcionários públicos, tráfico de drogas, peculato e lavagem de capitais".

Na nova configuração da Lava Jato, dos quinze procuradores designados para a força-tarefa, cinco foram transferidos para o Gaeco para manter as atividades do grupo. São eles: Alessandro José Fernandes de Oliveira, Laura Gonçalves Tessler, Lucas Bertinato Maron, Luciana de Miguel Cardoso Bogo, Roberson Henrique Pozzobon.

Os outros procuradores, dez permanecerão à disposição da Lava Jato para atuações eventuais até o dia 1º de outubro de 2021. Apesar disso, esses procuradores não terão ligação com o Gaeco, como seus demais colegas na força-tarefa.

Em dezembro de 2020, a Procuradoria-Geral da República estendeu as atividades da Lava Jato no Paraná alterando a estrutura da operação. A força-tarefa deixou de existir oficialmente na segunda-feira (1º).

Em 7 de outubro do ano passado, durante solenidade no Palácio do Planalto, o presidente Jair Bolsonaro, dando a entender que está tudo sob controle do governo, se vangloriou dizendo que ele acabou com a Operação Lava Jato "porque não tem mais corrupção no governo".

"Queria dizer a essa imprensa maravilhosa nossa que eu não quero acabar com a Lava-Jato... eu acabei com a Lava-Jato porque não tem mais corrupção no governo", disse Bolsonaro, que ainda acrescentou: "Eu sei que isso não é virtude, é obrigação. Para nós, fazemos um governo de peito aberto".

Fama e suspeitas envolvem a Lava Jato

A Lava Jato no Paraná teve início em março de 2014 e acumula 79 fases, com 130 denúncias contra 533 acusados, tendo como consequência 174 pessoas condenadas. Segundo o MPF, a operação recuperou R$ 4,3 bilhões aos cofres públicos, dos quais R$ 3 bilhões foram destinados apenas à Petrobras. Os escândalos revelados pela operação tornaram a Lava Jato um dos assuntos mais comentados do país durante sua atuação, servindo de combustível político na derrocada dos governos petistas.

Em maio de 2019, procuradores da Lava Jato tentaram se apoderar de R$ 2,5 bilhões de multas pagas pela Petrobras ao Departamento de Justiça dos EUA, para criar uma "fundação" exclusivamente para eles. O então coordenador da força-tarefa, Deltan Dallagnol, juntamente com outros procuradores, foram alvo de uma sindicância da Corregedoria da Procuradoria-Geral da República (PGR) para investigar a empreitada.

A mais conhecida das investigações da operação foi contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que terminou preso após condenação em segunda instância somada a uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), em 2018, o que o impediu de participar das eleições presidenciais naquele ano. A decisão foi revertida pela Corte no ano seguinte e Lula foi liberto, mas segue respondendo processos que o acusam de corrupção, apesar da ausência de provas, segundo sua defesa.

A atuação da Lava Jato é fruto de polêmica e questionamentos acerca da lisura dos procuradores. Suspeitas de que a operação teve ação de viés político e ilegal se fortaleceram após conversas entre os procuradores e também com o ex-juiz Sergio Moro - responsável pela condenação de Lula - serem reveladas pelo site The Intercept Brasil, em uma série de reportagens que ficou conhecida como Vaza Jato. O farto material mostra o ex-juiz até comemorando com emojis uma denúncia contra o ex-presidente.

Após a atuação da Lava Jato e a prisão de Lula, Moro se tornou ministro da Justiça e Segurança Pública no governo de Jair Bolsonaro (sem partido). O ex-juiz deixou o governo em abril de 2020, acusando Bolsonaro de tentar interferir na atuação da Polícia Federal, e hoje trabalha para uma empresa dos Estados Unidos, cujos sócios são ex-agentes de órgãos federais norte-americanos, que sabidamente atuaram na Lava Jato à margem da lei. Já Bolsonaro respondeu que Moro "só pensa no próprio ego" e como ministro "a PF de Sérgio Moro mais se preocupou com Marielle (vereadora Marielle Franco, do PSOL, assassinada em 14 março de 2018, cujas investigações resvalam na família Bolsonaro) do que com seu chefe supremo (o próprio Jair Bolsonaro)".


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