Lavrov sobre guerra nuclear: melhor perguntar a Biden
- 2 de mar. de 2022
- 3 min de leitura

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, comentou os diversos pontos envolvendo as tensões com a Ucrânia e como o Ocidente está profundamente relacionado com a escalada vivida na Europa.
A Rússia está pronta para discutir garantias de segurança na segunda rodada de negociações, disse o chanceler russo, tendo referido como passo positivo o desejo do presidente ucraniano, Vladimir Zelensky, de receber essas garantias para seu país.
O ministro sublinhou que a determinação da Rússia em não permitir o derramamento de sangue parte de fatos que se tornaram mais ameaçadores para a Rússia por causa do Ocidente.
"Nossa determinação em não permitir o futuro derramamento de sangue, não permitir que a Ucrânia se torne uma praia para ataque contra a Federação da Rússia, define não do que o Ocidente planejava ou não planejava, nós nos baseamos de fatos 'em terra' quando tomamos medidas", disse Sergei Lavrov.
Ainda segundo o ministro, após o fim do conflito no país, o povo ucraniano deve decidir como vai viver.
"Os ucranianos devem decidir por si próprios como eles vão viver, depois de esse conflito que eles desencadearam acabar, [conflito] que nós tentamos agora resolver. Isso agora está sendo discutido nos círculos dos cientistas políticos. Eu não participo dessas discussões. Nós partimos definitivamente de que isso deve ser a opinião de todos os povos que moram na Ucrânia", disse ministro russo em entrevista ao canal de TV al-Jazeera.
Risco nuclear
O ministro também voltou a levantar preocupações sobre obtenção de armas nucleares pela Ucrânia.
"Há potencial técnico, tecnológico. O presidente Putin falou sobre isso, nossos especialistas comentaram essa situação. Posso afirmar com a toda a responsabilidade que não permitiremos isso [da Ucrânia obter armas nucleares]".
Falando sobre a possibilidade de uma guerra nuclear, Lavrov disse que isso deve ser perguntado ao líder norte-americano.
"Ele [o presidente dos EUA, Joe Biden] disse que 'se nós não tivéssemos ido pelo caminho de tais sanções, a alternativa teria sido só a terceira guerra mundial'. Ele pensa nesses termos".
Lavrov lembrou que em junho de 2021, em Genebra, Joe Biden e Vladimir Putin confirmaram a declaração que foi feita ainda por líderes da União Soviética e EUA nos anos 1980 de que em uma guerra nuclear não pode haver vencedores e que essa guerra nunca deve ser desencadeada. Em janeiro de 2022 todos os cinco líderes-membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU assinaram a mesma declaração multilateral.
"Se a pessoa, perguntada se podia ser algo diferente do que essa onda de sanções, responde que a alternativa é só uma terceira guerra mundial, ela deve compreender que a terceira guerra só pode ser a guerra nuclear. Pode ser que os instintos antigos ainda estejam vivos nas cabeças de nossos parceiros ocidentais para que eles considerem tal possibilidade apesar da posição publicamente confirmada de todos os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU".
'Roubo'
Falando sobre as sanções e a pressão do Ocidente, o ministro destacou que a Rússia pode resistir a qualquer pressão econômica ou política.
"Se alguém tem dúvidas sobre isso, recomendo-os conhecer a história do Império Russo, a história da União Soviética e a história daqueles episódios da nossa vida quando éramos submetidos à invasão dos Exércitos inimigos", disse ele.
Sobre as sanções, incluindo no que se trata dos ativos do Banco Central russo e empresas privadas, Lavrov pontuou que tanto EUA quanto UE deixaram de lado todos os princípios que implementaram na arena internacional e "voltaram a um capitalismo selvagem, de gangue".
"Isso é um roubo. Eles recusaram [foram contra] todas as regras que nos últimos 70 anos implementaram na vida internacional", disse.
O chanceler russo também afirmou que não existe mecanismo para tirar o lugar do membro permanente do Conselho de Segurança da ONU. "Nem tentem explicar nada aos representantes britânicos. Seu estado inadequado é bem conhecido", disse.
Com a Sputnik









Comentários