top of page

Livro ensina mulheres a romper relações abusivas

Atualizado: 8 de ago. de 2023

No mês em que a Lei Maria da Penha (Lei 11340/2006), sancionada em 7 de agosto de 2006, completa 17 anos, a terapeuta Thaís Santesi lança o livro 'O Guia da Liberdade – Guia completo sobre relacionamentos abusivos' (Editora Literando). O objetivo da autora é ajudar mulheres que precisam de apoio e também orientar pessoas a ajudar mulheres que estão passando por relações abusivas. O lançamento da obra faz parte das celebrações do aniversário Lei Maria da Penha, que inclui diversas atividades em diferentes locais no Brasil.

Thaís Santesi / Divulgação

A própria Thaís vivenciou um relacionamento destrutivo que durou cinco anos e resultou, inclusive, em violência doméstica. Durante a superação do episódio, ao passar por terapia especializada, ela raspou o cabelo em máquina zero para simbolizar o fim relacionamento tóxico e para não ver mais aquela velha pessoa no espelho. Thaís destaca a importância de investir em novos hábitos para superar a situação.


Mas antes de escrever o livro, a autora transformou a dor em trabalho. Para acolher outras mulheres criou o 'Projeto Bastê - União Contra Relações Abusivas' e especializou-se em terapia complementar focada no tema.


Agosto Lilás


Para celebrar o aniversário desse marco na luta do enfrentamento à violência contra a mulher é realizada anualmente, desde o ano passado, a campanha Agosto Lilás, que dedica todo o mês para debater a importância da proteção à mulher.


Instituído pela Lei 14.448/22, a campanha nacional é realizada pelo Distrito Federal, estados e municípios, que promovem ao longo de agosto ações e atividades para conscientizar e esclarecer sobre as diferentes formas de violência contra a mulher.


O ciclo do abuso


O ciclo do abuso da violência doméstica foi identificado e documentado pela primeira vez pela psicóloga estadunidense Lenore Edna Walker, fundadora do Instituto de Violência Doméstica, de Denver, no Colorado. Em 1979 ela lançou o livro The Battered Woman (sem tradução em português).


A obra de Walker se baseou na experiência dela como especialista que testemunhou julgamentos envolvendo abuso doméstico, desenvolveu programas de treinamento em violência doméstica e redigiu reformas legislativas.


A partir de entrevistas com 1.500 mulheres vítimas de violência doméstica e familiar, Leonora encontrou um padrão semelhante de abuso, chamado de "ciclo de abuso".


Fase 1 - Aumento da tensão


O agressor mostra tensão e irritação por coisas insignificantes e chega a ter acessos de raiva, além de humilhar a vítima, fazer ameaças e destruir objetos.

A mulher tenta acalmar o agressor, fica aflita e evita qualquer conduta que possa “provocá-lo”. As sensações são muitas: tristeza, angústia, ansiedade, medo e desilusão são apenas algumas.

Em geral, a vítima tende a negar que isso está acontecendo com ela, esconde os fatos das demais pessoas e, muitas vezes, acha que fez algo de errado para justificar o comportamento violento do agressor ou que “ele teve um dia ruim no trabalho”, por exemplo. Essa tensão pode durar dias ou anos, mas como ela aumenta cada vez mais, é muito provável que a situação levará à Fase 2.


Fase 2 - Ato de violência


Corresponde à explosão do agressor, quando ele perde o controle e parte para o ato violento. Toda a tensão acumulada na Fase 1 se materializa em violência verbal, física, psicológica, moral ou patrimonial.

Mesmo tendo consciência de que o agressor está fora de controle e tem um poder destrutivo grande em relação à sua vida, o sentimento da mulher é de paralisia e impossibilidade de reação.

A vítima sofre de uma tensão psicológica severa (insônia, perda de peso, fadiga constante, ansiedade) e sente medo, ódio, solidão, pena de si mesma, vergonha, confusão e dor.

Nesse momento, a vítima também pode tomar decisões - as mais comuns são: buscar ajuda, denunciar, esconder-se na casa de amigos e parentes, pedir a separação e até mesmo suicidar-se. Geralmente, há um distanciamento do agressor.


Fase 3 - Arrependimento e comportamento carinhoso


Também conhecida como “lua de mel”, esta fase se caracteriza pelo arrependimento do agressor, que se torna amável para conseguir a reconciliação. A mulher se sente confusa e pressionada a manter o seu relacionamento diante da sociedade, sobretudo quando o casal tem filhos. Em outras palavras: ela abre mão de seus direitos e recursos, enquanto ele diz que “vai mudar”.

Há um período relativamente calmo, em que a mulher se sente feliz por constatar os esforços e as mudanças de atitude, lembrando também os momentos bons que tiveram juntos. Como há a demonstração de remorso, ela se sente responsável por ele, o que estreita a relação de dependência entre vítima e agressor.

Um misto de medo, confusão, culpa e ilusão fazem parte dos sentimentos da mulher. Por fim, a tensão volta e, com ela, as agressões da Fase 1.


Fonte: Instituto Maria da Penha


Comments


Divulgação venda livro darcy.png
Chamada Sons da Rússia5.jpg
bottom of page