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Livro revela as práticas da Lava Jato na prisão de Rodrigo

  • 16 de mar. de 2022
  • 2 min de leitura

A bíblia que levou debaixo do braço foi a companheira de Rodrigo durante três meses na prisão

O ex-prefeito de Niterói e pré-candidato do PDT ao governo do estado, Rodrigo Neves, autografa nesta quinta-feira (17/03), às 19 horas, na Livraria da Travessa do Shopping Leblon, no Rio, o livro Golpe Derrotado, do jornalista PH de Noronha. A obra, lançada pela editora Máquina de Livros, se baseia em depoimentos do líder político sobre a sua prisão em dezembro de 2018, em ação da Polícia Civil e do MPRJ, sob acusação de desvio de verbas do vale transporte.

Rodrigo permaneceu preso por três meses sem ser ouvido em juízo, e só deixou o cárcere em março de 2019, após decisão do Tribunal de Justiça que, por 6 votos a 1, lhe devolveu a liberdade e o retorno à chefia do governo municipal. Durante todo esse tempo e até hoje os investigadores que o levaram à prisão não apresentaram provas concretas para sustentar as acusações levantadas àquela época.

Embora não tenha ligação direta com as ações da Força Tarefa comandada pelo ex-juiz Sérgio Moro em Curitiba, que levou também o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à prisão, afastando-o da disputa presidencial de 2018, a operação espetacularizada da Polícia Civil do Rio de Janeiro contra Rodrigo Neves seguiu em vários aspectos o receituário da Lava Jato, hoje desmoralizada depois da absolvição de Lula e da condenação pública de Moro, por parcialidade, pelo Supremo Tribunal Federal.

Além da espetacularização - Rodrigo foi retirado de casa ao amanhecer, após buscas feitas pelos agentes da polícia na sua residência, sempre sob o foco das lentes da TV Globo e de outros orgãos de imprensa, previamente avisados da ação -, outros pontos de convergência com as práticas da Lava Jato são a manutenção da prisão indefinidamente sem apresentação de provas para fundamentar a acusação e a predileção na escolha de políticos de esquerda como alvos preferenciais das operações.

Em O golpe derrotado, Rodrigo sustenta que a operação que o encarcerou tinha por objetivo apeá-lo da prefeitura de Niterói e interromper a sua trajetória política - alvos claramente fracassados com a eleição, menos de um ano depois, do seu sucessor, Axel Grael, no primeiro turno, com 62% dos votos válidos. Além de eleger seu candidato, Rodrigo terminou o mandato com 85% de aprovação e agora disputa o Palácio Guanabara como um dos três pré-candidatos mais bem colocados nas pesquisas de intenção de votos.

“Não desejo ao maior adversário político sofrer a ação arbitrária e ilegal que sofri. Sem nunca ter sido ouvido, sem quaisquer indícios ou provas, com a omissão de dados oficiais que corroboravam minha seriedade e com uma mentira sobre minha esposa, impuseram um imenso sofrimento à minha família, violentaram a soberania popular, e tentaram arrasar minha imagem, minha honra e minha reputação”, disse Rodrigo Neves, em depoimento.

Golpe Derrotado traz, ainda, depoimentos de importantes personagens que acompanharam o caso de Rodrigo Neves, como os ex-ministros Ciro Gomes, José Eduardo Cardozo e Tarso Genro, o ex-presidente da OAB Wadih Damous e o atual prefeito de Niterói, Axel Grael. Conta também com a análise da jurista Carol Proner sobre o lawfare (uso do sistema legal para perseguir inimigos).

A obra, de 320 páginas, traz ainda um anexo com a íntegra do texto de defesa apresentado ao TJ-RJ pelo advogado Técio Lins e Silva, que defende Rodrigo e assina também a apresentação do livro.


 
 
 

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